Em três semanas, o capitão da seleção saiu de um estágio, publicou uma carta contra o selecionador e foi castigado pela Federação. O dano maior veio da forma como comunicou.
A 30 de setembro, em Copenhaga, Cristiano Ronaldo deixou o estágio da seleção nacional na véspera do jogo com a Dinamarca, a contar para a Liga das Nações. No jogo anterior, com a Noruega, tinha aquecido cerca de meia hora sem chegar a entrar. Horas antes da saída, o selecionador Jorge Jesus garantira numa conferência de imprensa que não havia “caso” nenhum. Deixou também uma frase que ficou: “Na equipa mando eu.”
Ronaldo anunciou a decisão no Instagram, depois de falar com o presidente da Federação, Pedro Proença, e prometeu explicar-se “a seu tempo”. Portugal ganhou à Dinamarca por 4-2.
A explicação chegou a 6 de outubro, numa carta publicada nas redes sociais. Ronaldo enumerou oito pontos sobre o que diz ter combinado com Jesus para aquela janela de jogos. Acusou o selecionador de ter mudado de tom em público, falou de uma “absoluta quebra de confiança” e de uma atitude de “quero, posso e mando”. Na mesma carta pediu desculpa aos adeptos e admitiu que merecia ser castigado.
A 19 de outubro, o Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol suspendeu-o por 30 dias, de 30 de setembro a 30 de outubro, e aplicou-lhe uma multa de 255 euros. Ronaldo respondeu no Instagram com três palavras: “Dedicar-se ao trabalho.” Pode voltar a ser convocado para os jogos de novembro, com a Dinamarca em Braga e com o País de Gales em Cardiff, se as duas partes o quiserem.
O gesto e o texto
Sair de um estágio é grave, mas tem precedentes. Os conflitos entre estrelas e treinadores são tão antigos como o futebol e quase sempre se resolveram longe das câmaras, com uma conversa e uma reconciliação discreta.
O que mudou a escala desta crise foi a carta. É essa a leitura de João Gabriel, antigo assessor de imprensa do Presidente Jorge Sampaio e diretor de comunicação do Benfica durante oito anos, no episódio desta semana do Pergunta Simples. Para ele, o comunicado foi “terrível”. Os pontos enumerados transmitem, na sua leitura, “prepotência” e “arrogância”, e eram “escusados”, independentemente do que tenha sido dito em privado.
O texto levanta também uma pergunta mais incómoda: se um jogador acha que pode pôr condições a um selecionador para voltar à equipa, que influência terá tido antes?
Alcance sem destinatário
Ronaldo é a pessoa mais seguida do mundo no Instagram. Para falar, não precisa de jornalistas nem da Federação. Num conflito com o selecionador, esse canal tem um efeito duplo. Põe a discussão diante de centenas de milhões de pessoas e transforma uma divergência de balneário numa negociação pública com quem escolhe a equipa.
João Gabriel resume o problema assim: o que a equipa de Ronaldo queria era alcance, e conseguiu-o. O único leitor que contava para resolver a crise, o homem que o podia voltar a convocar, passou a ter de responder diante de todos.
Há outro efeito, menos visível. Um texto escrito fica. A saída do estágio vai-se esquecendo. Os oito pontos continuam a ser citados, comparados e desmontados, como fez o jornal A Bola ponto por ponto.
Uma crise que ninguém fechou a tempo
As grandes organizações têm manuais de crise. A Federação, lembra o convidado, não tinha um para isto, e dificilmente o teria. O caso juntava dois egos fortes, que se conheciam bem do Al-Nassr, onde trabalharam juntos, e adeptos de cada lado à procura de um culpado.
Na leitura de João Gabriel, a crise podia ter terminado quando Jesus reconheceu um erro, o aquecimento prolongado sem entrada em campo. Uma crise “aparece já acesa” e resolve-se antes de chegar ao público. Daí em diante, o que conta é a velocidade e quem dá a cara. O exemplo que dá é o da Starbucks em 2018: o presidente executivo pediu desculpa na televisão na manhã seguinte a um incidente filmado numa loja de Filadélfia.
O que a própria Federação valorizou
Há uma ironia no processo disciplinar. Entre as atenuantes, o Conselho de Disciplina contou o cadastro limpo de Ronaldo, os serviços prestados ao futebol e o contributo para o apuramento da verdade, citando a carta publicada no Instagram. O texto que pesou na reputação ajudou a reduzir o castigo.
O pedido de desculpa aos adeptos também não é um pormenor. Em comunicação de crise, é muitas vezes a parte que se recorda. Neste caso, ficou enterrado no meio de uma acusação ao selecionador.
Então, pontapeou?
Em parte, sim. A reputação de Ronaldo assentou sempre no trabalho, na disciplina e na seleção acima de tudo. Ao sair do estágio, passou a imagem contrária. Com a carta, deu a essa imagem forma escrita, data e assinatura. João Gabriel fala de “uma mancha reputacional que o Ronaldo não vai conseguir apagar”.
O mesmo convidado recusa a ideia de que Ronaldo esteja a sair “pela porta pequena”. Para ele, este será um episódio negativo num livro com muitas páginas, e Ronaldo continuará a ser “a nossa melhor marca”. O que pode ainda mudar a leitura é o que vem a seguir: se volta em novembro, em que condições e com que palavras.
O primeiro impacto de uma crise raramente se controla. O segundo, sim.
A conversa completa com João Gabriel está disponível no Pergunta Simples
João Gabriel
00:00
Acabe esta novela como acabar, acho que há uma mancha reposicional que o Ronaldo não vai conseguir apagar. Porque quando diz que o sedacionador tem que dizer, sim senhor, eu errei porque o Ronaldo está ao nível do Pelé, isto foi construído pela equipa do Ronaldo. Eu acho que é um absurdo total terem deixado sequer que chegasse a este ponto.
Jorge Correia
00:34
Pergunta simples. Um programa sobre comunicação. Para quem quer boas respostas.
00:43
Há uma gaveta muito especial em quase todas as organizações. Poderia dizer abrir em caso de emergência. Lá dentro está um plano para o dia em que alguma coisa corre mal.
00:54
Um acidente, um produto com defeito, alguma coisa que correu mesmo muito mal. É um manual de gestão de crise. Uma crise de reputação começa quase sempre com um acontecimento inesperado.
01:07
Às vezes até um pequeno acontecimento. O que o faz crescer é a reação. Quem fala, quando fala, o que diz, o que fica por dizer.
01:16
As redes sociais encurtaram este tempo para quase nada. Uma imagem filmada num café chega em minutos a milhões de pessoas E a primeira impressão raramente se desfaz. O caso mais recente envolve o português mais conhecido do mundo, Cristiano Ronaldo.
01:32
Capitão da seleção, 41 anos. Abandonou o estágio depois de um desentendimento com o selecionador Jorge Jesus. Dias depois, publicou nas redes sociais as oito condições que teria posto para voltar.
01:45
Ronaldo tem mais seguidores do que qualquer outra pessoa no planeta. Para falar não precisa de jornalistas, não precisa da federação. No fundo, não precisa de ninguém para falar para todo mundo.
01:55
A reputação dele foi construída sobre uma ideia simples, trabalho e disciplina. E a seleção, Portugal, acima de tudo. Ao sair do estágio, desta maneira, passou a imagem exatamente contrária a de um capitão que se põe à frente dos interesses da equipa.
02:13
Ainda assim, um gesto destes podia ser absorvido. Uma conversa a dois, uma reconciliação discreta, Mas o comunicado, o tal comunicado dos oito pontos, fechou esta porta. Tirou a zanga do balneário e pô-la à vista de centenas de milhões de pessoas.
02:29
Fez dela uma negociação pública com quem escolhe a equipa e deixou tudo por escrito com a assinatura dele, Cristiano Ronaldo. O canal mais poderoso do futebol serviu desta vez para ampliar o dano. E quem saiu mais ferido foi o próprio Cristiano Ronaldo, na sua reputação.
02:47
Como se geram uma crise quando o protagonista é ao mesmo tempo o maior meio de comunicação envolvido. E o que se faz quando nenhum manual de crise previu o que ia acontecer a seguir. O convidado desta semana passou boa parte da vida a gerir momentos assim.
03:02
Foi jornalista na TSF no início de carreira, foi assessor de imprensa do presidente Jorge Sampaio durante 10 anos e durante 8 anos dirigiu a comunicação do Benfica. Trabalhou precisamente com Jorge Jesus. E talvez ele conheça muito bem este fenómeno da comunicação do desporto e, em particular, a comunicação do futebol, um desporto de alta competição que é o mais popular desporto do mundo.
03:32
Viva João Gabriel, bem-vindo. Começaste pela rádio, pela TSF, depois trabalhamos juntos aqui na Antenum durante algum tempo. Estiveste a fazer notícias, Foste o primeiro repórter a viajar até Timor, à Socapa, imediatamente depois do massacre de Santa Cruz, até que decidiste, depois de fazer reportagens, depois de fazer carreira como jornalista, trocar de cadeira e ir trabalhar 10 anos com o presidente Jorge Sampaio antes de dedicares a fazer muita comunicação à volta do desporto, no Benfica, durante 8 anos, e na candidatura de Portugal, Espanha e Marrocos ao Mundial de Futebol.
04:09
Para os mais ansiosos, sim, nesta conversa, nós lá mais para a frente haveremos de falar de Pelé e de Maradona e por consequência de Cristiano Ronaldo na ótica da comunicação. Viva, bem-vindo. Ainda decorre no sangue essa ideia de jornalista, desse bichinho de ir lá e procurar a notícia para contar?
João Gabriel
04:30
A TSE foi uma escola. E foi não só uma escola de jornalismo, mas onde eu aprendi coisas como a ousadia, o não acreditar que havia coisas impossíveis e a melhor biografia que eu posso dar do Emílio Rangel.
Jorge Correia
04:48
Com quem trabalhaste?
João Gabriel
04:49
Com quem trabalhei e de facto foi algo extraordinário e mais à frente gostaria de te contar como é que eu entro na TSF.
Jorge Correia
04:59
Então nós podemos contar já.
João Gabriel
05:01
Eu frequentava o terceiro ano de Direito na faculdade ali na Clássica quando a TSF arranca como pirata em 88. E aquilo foi uma coisa extraordinária. disse, é isto que eu quero fazer.
Jorge Correia
05:13
Uma paixão.
João Gabriel
05:16
E plantei-me na redação da TSF, Neja Moreiras, durante uma semana. Todos os dias. Foste para lá sempre? Sempre. A Maria da Glória, que era a secretária do Emílio, foi-me sempre dando escusas, o Emílio não pode, e eu vi o Emílio a sair para almoçar, a regressar do almoço a sair.
Jorge Correia
05:33
E via-te?
João Gabriel
05:34
E via-me, claro, e eu também o via. Até que cansaram-se de meter ali na redação e o Emílio mandou o David Borges falar comigo para me despachar. O David é uma pessoa imponente, gestos muito pausados, muito diplomata e lá tentou despachar-me.
Jorge Correia
05:52
E com o vozeirão.
João Gabriel
05:53
O vozeirão, que ainda hoje mantém. E eu consegui convencer o David a dar-me uma oportunidade. E, portanto, é assim a minha entrada na TSF, ainda pirata. E isto é bom contar porque há muita gente, jovens principalmente, que desistem de um sonho à primeira dificuldade.
Jorge Correia
06:14
Mandam um currículo, vêem se não conseguem, se calhar você não está bem aqui.
João Gabriel
06:18
E eu estive lá uma semana de manhã à noite até que o Rangel se cansou e mandou o David e eu consegui convencer o David a dar-me essa oportunidade.
Jorge Correia
06:27
Isso é curioso, porque isso define-te na realidade profissionalmente, porque foste sempre o tipo que pôs o pé na porta quando alguém dizia, vamos fechar a porta a esta pessoa que vem aqui fazer umas perguntas difíceis.
João Gabriel
06:38
Mas agora ia-te contar que eu acho que melhor do que a história do Rangel é um episódio, que é, nas o Massacre de Santa Cruz, portanto, dezembro de 91, os meus pais foram imigrantes na leva de 50, foram para a Venezuela, passaram muitas dificuldades, faltaram batizados, casamentos, aniversários familiares, passaram fome no início para dar aos filhos uma vida melhor. Eu nasci na Venezuela e, portanto, tinha um passaporte venezuelano que não precisava de visto para entrar na Indonésia E, portanto, eu disse ao Emílio Acho que temos a oportunidade aqui, vamos tentar entrar em Timor E o Emílio comprou a ideia, mas disse Vamos marcar um almoço com o Ramos Horta E o almoço dá-se Simplesmente o Ramos Horta diz É completamente impossível entrar em Timor E o Emílio dizia assim Então em um avião o João salta de paraquedas E o Ramos-Jota Não, é impossível E de Darwin um bote clandestino até Timor Portanto, estas foram as várias possibilidades Porque para o Rangel efetivamente Não havia um limite E eu vou-te contar outra história do Rangel a seguir Eu decido Com o Rangel e com o David Embarcar para Jacarta Entro em Jacarta E comprovo-o para Timor E não tenho nenhuma limitação E é dessa forma que eu entro em Timor E estou lá seis dias
Jorge Correia
08:08
Ninguém nota que tu vais Como é que tu passas
João Gabriel
08:12
Como era um turista à chegada Porque eu era o turista à chegada a Timor Eles põem uma pessoa supostamente a acompanhar Era acordar às três da manhã Tentar apanhar o bispo Ximénes Belo na primeira missa Portanto foi efetivamente uma coisa extraordinária O medo não é a ausência de medo É enfrentá-lo e eu tinha a noção de que a coisa podia dar para o torto mas dar para o torto seria expulso não era mais nada do que isso
Jorge Correia
08:40
E sentiste medo?
João Gabriel
08:42
Quer dizer, há algum respeito por uma situação que não é normal tu chegas a Timor naquela altura em 92 portanto 6, 7 meses depois do massacre de Santa Cruz és o primeiro jornalista, não é português ocidental a entrar em Timor depois do massacre e portanto notas uma presença militar muito forte, porque uma coisa são os relatos Outra coisa é a imagem. E a imagem, efetivamente, impressiona. Eu saio do Timor e passado dois ou três meses, o Xanana é preso.
09:15
E eu estou em casa às nove da manhã, eu acho que era um sábado, toca o telefone, era o Arangel. E diz-me assim, vai para o aeroporto, ao meio-dia tens voo para Jacarta. E eu digo, Arangel, mas eu acabo de sair há três meses, portanto, é, nesta altura… Já sabem que o passaporte é de um jornalista vão ser presos.
09:36
E ainda hoje me lembro da resposta do Rangel. Porque ele já estava com o pé na SIC. Já havia missões da SIC.
09:42
O Rangel diz-me assim, isso é vercial, é muita publicidade para a estação. E este rapaz, com 28, 29 anos, foi para o aeroporto, apanhou o voo e foi, não sei, 12 horas de viagem a pensar eu vou ser detido à chegada à Jakarta.
Jorge Correia
09:59
Estava escrito nas estrelas. E o que é que aconteceu?
João Gabriel
10:02
Não aconteceu nada. Eu passo a imigração, deixam-me entrar, não tinha hotel marcado sequer, portanto marco um bom hotel, e no dia seguinte ligo ao Arangel. E a ideia do Arangel é, tens que dizer quem és, tens que te fazer expulsar. E eu vou ao Ministério da Defesa e digo, sou um jornalista português, entrei com este passaporte. Portanto, aquele mito da mega segurança indonésia…
Jorge Correia
10:30
Os serviços secretos claramente estavam a dormir.
João Gabriel
10:32
Estavam a dormir. E portanto eu estou quatro horas no Ministério da Defesa Até que vem um general falar comigo E o mais extraordinário é que me pergunta Onde é que eu estou alojado Eu digo-lhe o nome do hotel Pergunta-me se eu tenho câmera Eu digo-lhe que não Dá-me um cartão de visita de uma agência Com quem eles trabalhavam Que eram dois australianos aliás Com quem matei a relação depois dessa viagem Durante muito tempo E diz-me porque eu Eu disse eu venho aqui para entrevistar o Xanana E portanto eu fui ao hotel Comecei, contratei a agência Comecei a fazer vídeos Diretos de Jacarta Até que Cinco ou seis dias depois Às quatro da manhã, toca o telefone do meu quarto E era o general A dizer, venha, vamos entrevistar o Xanana E eu consigo Entrevistar o Xanana
Jorge Correia
11:21
O que é que aconteceu?
João Gabriel
11:23
Curiosamente, o Zé Rodrigues Não, havia um jornalista português também Que tinha os dossiers Não era o Zé Rodrigues da RTP, agora não me soube lembrar o nome, que estava a tentar há vários dias entrar na Indonésia e não tinha o visto. E no dia em que ele entra, consegue entrar em Jakarta, acorda com o jornal indonésio com a minha foto, entrevistava o Shanana. Portanto, eu depois cruzei-me várias vezes com ele e ele disse que rasgou o jornal nesse dia.
Jorge Correia
11:51
Olha, e isso acontece porque tu negocias com o general dessa possibilidade? Porque houve uma vontade do regime De tentar Eu não sei
João Gabriel
12:01
Eu não negociei nada Porque a minha intenção era Tu aqui faça um favor de me expulsar
Jorge Correia
12:06
Tu és pessoa não grata e portanto vai-te embora
João Gabriel
12:08
Eu fiquei surpreendido quando a reação foi aquela Depois disso Para o início do julgamento Do Xanana Ainda me deixam entrar Para a leitura da sentença já não me deixam entrar E eu viajo na mesma com o passaporte Um amigo espanhol mas aí sou detido, efetivamente já te conheciam sou detido e sou deportado portanto a minha experiência com Timor com Jacarte é muito vasta
Jorge Correia
12:39
Olha, tu és jornalista obviamente durante muitos anos mas subitamente dizes, ok, agora vou fazer outras coisas não sei se logo diretamente para trabalhar com o Presidente Jorge Sampaio e portanto passasse para o outro lado da barricada no fundo para treinar outros e a ensinar outros técnicas de comunicação, de como é que se conta uma história. A minha curiosidade inicial é como é que tu te preparaste para esta entrevista? Como é que é?
13:03
Em casa de Ferreira, o espeto de pau? Preocupas-te, pensas, traz umas histórias no baú, tu estás cheio de histórias. Como é que é?
13:09
Como é que alguém se prepara para uma conversa?
João Gabriel
13:11
Sabes que, quer dizer, aos 60 anos já há pouco para preparar. Tens uma experiência e muitas histórias e, portanto, a minha ideia… Porque acho que comunicar é mesmo isto, é contar histórias, é fazer uma coisa simples histórias.
13:27
A minha passagem, eu nunca tive, digamos, um objetivo de, não disse vou ser jornalista a vida toda ou… Não, as coisas foram acontecendo. A única coisa que eu sempre exigi de mim mesmo é fazer aquilo que mais gostava. E tive essa sorte ao longo de toda a vida, até agora.
13:44
Nunca. Tive em vários sítios, em várias instituições, fiz muita coisa e de todas guardo boas memórias. Eu estava na TSF ainda, quando eu faço a campanha do doutor Sampaio, às legislativas de 91.
Jorge Correia
13:58
Aquela que ele perde, sim.
João Gabriel
14:01
Perde o engenheiro Guterres entrando no Largo do Rato, e diz, estou em choque, e portanto depois há a mudança do secretário-geral. Mas efetivamente, quer dizer, tu percorrias o país com o doutor Sampaio e sentias que ele ia perder. E mesmo assim ele manteve… Durante a campanha. Sim, durante a campanha.
Jorge Correia
14:20
E ele perde para Cavaco Silva?
João Gabriel
14:22
Perde para Cavaco Silva, maioria absoluta. Porque a primeira, imagina, a primeira semana oficial de campanha, a primeira semana oficial de campanha é Cavaco Silva, primeiro-ministro, inaugurar o último troço de ligação da Autostrada Lisboa-Porto.
Jorge Correia
14:38
É difícil de bater.
João Gabriel
14:39
É muito difícil de bater, fundos comunitários, portanto. E eu admirei o doutor Sampaio porque, quer dizer, ele no interior sabia que ia perder, Mas manteve sempre nos comícios aquela oratória de estamos quase lá, vamos… Para animar as massas.
14:56
Para animar as massas, embora o aparelho estivesse muito dividido. E, portanto, eu aprendi a admirar o doutor Sampaio. E, portanto, a minha ligação ficou por aí.
15:07
Depois veio, começa 95, começa-se a aproximar o fim do segundo mandato do doutor Soares. E eu recebo um telefonema em casa Do António Pés de Metel
Jorge Correia
15:19
E era quem? O futuro chefe de gabinete Não,
João Gabriel
15:21
ele trabalhava com Era próximo Não, o António estava com o doutor Sampaio Na Câmara de Lisboa E o António diz-me Ao telefone O doutor Sampaio quer falar contigo Ok E quando o doutor Sampaio começa a falar Eu digo-lhe assim Quero-se candidatar à presidência da República Tu farejaste isso Já se ouvia, era uma coisa que já corria. E o doutor Sampaio, estamos a um ano das eleições, o doutor Sampaio disse, se é assim que coloca as coisas, sim, e gostava de contar consigo. E eu disse, demos aqui três ou quatro dias, porque aí era entregar a carteira profissional.
Jorge Correia
16:05
Era mudar de vida.
João Gabriel
16:08
E, portanto, continuando na velha escola do Rangel, eu arrisquei
Jorge Correia
16:16
Tu pensaste que ideia maluca é esta? Ainda por cima, a popularidade de Jorge Sampaio por essa altura não era grande coisa portanto é verdadeiramente um risco
João Gabriel
16:25
Vou-te contar uma coisa que é interessante Nós nessa campanha nós fizemos quase oito meses de campanha a correr o país de norte a sul e dois terços foi a norte Porquê? Não havia redes sociais A popularidade do Dr. Sampaio era em Lisboa, se tu ali pouco mais.
Jorge Correia
16:46
São duas coisas diferentes, há popularidade e notoriedade. Eu conheço o candidato, depois eu gosto dele ou rejeito o candidato.
João Gabriel
16:53
Mas se tu não conheces o candidato, não podes nem gostar nem não gostar.
Jorge Correia
16:56
Portanto, precisaste expor o candidato.
João Gabriel
16:59
Fizemos três voltas ao país, dois terços da campanha foi sempre a norte e o candidato do outro lado era Cavaco Silva.
Jorge Correia
17:07
Que estava aqui. Lisboa, Lisboa, Lisboa.
João Gabriel
17:10
Mas era primeiro-ministro, portanto… Tinha essa notoriedade já. Abertura de telejornais, notícias e por aí fora. Foi uma campanha extremamente desafiante, mas foi compensador. O doutor Sampaio ganha, acaba com Silva, e, portanto, começa a década de Sampaio em Belém.
Jorge Correia
17:27
E aí transformas-te num homem do presidente, como poderia escrever Bob Woodward ou Bernstein. Ser homem do presidente durante 10 anos, ainda por cima de um presidente que é fleumático, que é muito cauteloso na sua comunicação, que às vezes, mesmo sabendo muito bem o que é que queria dizer, tornava a mensagem intrincada, difícil e que precisava de uma interpretação. Qual era o teu trabalho? No dia a dia, o que é que é isto de ser o homem do presidente? O que é que faz o homem da presidenta na comunicação?
João Gabriel
18:00
Basicamente faz o que sabe. Quer dizer, eu passei muito tempo a fazer perguntas e agora estava do lado em que era necessário responder a perguntas. O intrincado, atenção. O doutor Sampaio foi advogado de barra de tribunal durante muito tempo.
Jorge Correia
18:16
Portanto, estava muito batido para esta coisa da comunicação de choque, se fosse caso disso.
João Gabriel
18:20
Não, estava a falar mais do… Quando tu dizes uma mensagem muito intrincada. E sim, mas ele entendia que devia explicar tudo. E às vezes não é necessário explicar tudo.
Jorge Correia
18:34
Muitos detalhes, quer dizer, estou a pensar porque…
João Gabriel
18:37
O doutor Sampaio não entendia a ideia de que uma mensagem em televisão tem que ter 30 segundos.
Jorge Correia
18:44
Não lhe passava pela cabeça.
João Gabriel
18:46
Foi-se adaptando.
Jorge Correia
18:47
Fui-se treinando.
João Gabriel
18:47
Foi-se adaptando. Não, quer dizer, eu fazia parte de uma equipa, não sou eu que fazia parte de uma equipa. E o mais curioso, vamos lá ver, já falamos aqui da história do Timor, que fica em 91, mas depois Timor volta a entrar na minha vida por outras portas, que é o Prémio Nobel da Paz. Em 96, em dezembro de 96 Nós vamos ao Oslo Agora já com o doutor Sampaio para a entrega Isto a propósito Da mensagem entrincada A propósito Do Nobel da Paz que é conseguido A Ramos Horta e a Ximéndes Belo E na véspera De nós viajarmos Recebemos da nossa embaixada Em Washington Um pedido da CNN Que queriam entrevistar o doutor Sampaio em Oslo
Jorge Correia
19:35
Já agora ele fluente a falar inglês, portanto estava completamente à vontade
João Gabriel
19:39
havia essa crítica de que ele era mais claro em inglês do que em português é uma crítica injusta mas a ideia a ideia fez o seu caminho e portanto o que combinei com a nossa embaixada em Washington era chegar a Oslo e encontrar-me com o jornalista da CNN e ver em que condições é que a entrevista seria feita O jornalista já desapareceu da CNN Nunca mais o vi, era o Jonathan Mann Mas na altura era uma das estrelas Da CNN Estamos a falar da CNN Em 92 Era quase o sexto membro permanente Do Conselho das Nações Unidas Aliás, Timor ganha Espaço mediático Quando as imagens do Massac Santa Cruz Passam na CNN Resumindo Encontro-me com o Jonathan Mann No bar do hotel juntamente com o assessor diplomático, António Sentefeld, e ele explica-nos qual é o modelo, ou seja, o Nobel é entregue de manhã, e à tarde na Câmara Municipal de Oslo nós vamos contar com o Ramos Horta, o Presidente Português, e via vídeo, se quiser…
Jorge Correia
20:56
O zoom lá da altura. O zoom da altura. Neste caso eram links de satélite.
João Gabriel
20:59
O embaixador da Indonésia nas Nações Unidas. Para mim era claro que o Presidente Sampaio devia ir e devia fazer a entrevista. Mas eu senti o António muito incomodado.
21:12
Eu não percebi e não nos comprometemos. Dizemos, vamos falar com o Presidente e já lhe damos uma resposta. E ele disse, eu preciso da resposta hoje.
21:23
E quando saímos do bar, eu digo, António, António, isto é claro que o Presidente vai. Ele diz, não, não pode ir. Ele diz, mas qual é o problema?
21:31
Um chefe de Estado não entra em diálogo Com um embaixador Num país estrangeiro Era uma coisa protocolar
Jorge Correia
21:39
Faz sentido? E tu ficaste…
João Gabriel
21:43
Eu disse eu não concordo E lembro-me E se podemos entrar Nós de vez em quando temos que quebrar uma regra Porque se não quebrarmos regras Fazemos sempre o mesmo da mesma maneira
Jorge Correia
21:56
Como é que se negocia isso?
João Gabriel
22:00
Batemos porta do quarto do doutor Sampaio. Explicamos qual era o problema. O António manteve-se em transiente e disse, acho que não deve ir. Não deve entrar em diálogo. Eu disse, a CNN tem o peso que tem, é evidente que tem que ir.
Jorge Correia
22:15
Uma oportunidade de ouro.
João Gabriel
22:17
E o doutor Sampaio disse dê-me 10 minutos e eu daqui a 10 minutos dou-vos a resposta.
Jorge Correia
22:24
Foi pensar sozinho.
João Gabriel
22:25
Foi pensar sozinho.
Jorge Correia
22:26
O que na realidade é um belo hábito.
João Gabriel
22:31
Há muita gente que diz Que as lideranças fortes Não têm dúvidas Eu acho que as lideranças fortes têm que ter dúvidas E têm que refletir sobre elas
Jorge Correia
22:39
E depois tomar a decisão
João Gabriel
22:41
E a decisão tomada é seguir em frente Dez minutos depois o doutor Sampaio disse Eu vou fazer a entrevista E assim foi E foi uma das entrevistas mais extraordinárias de sempre Tem uma história Claramente teve influência No desfecho depois de tudo que se veio a passar em relação ao referendo, em relação à independência de Timor. E, curiosamente, quando o Jonathan Mann, a qualquer resposta do embaixador indonésio, perguntou ao doutor Sampaio se queria reagir. E o doutor Sampaio disse, eu não tenho que responder ao embaixador da Indonésia, eu respondo-lhe assim.
Jorge Correia
23:21
Uau! E, portanto, manteve, no fundo…
João Gabriel
23:24
No fundo, manteve a regra, mas de uma maneira completamente diferente. Portanto, às vezes, em comunicação, é necessário pensar fora da caixa. Eu lembro-me muito de…
23:38
Tu deves ter visto várias vezes, eu vi várias vezes, o Clube dos Poetas Mortos. E aquela cena em que o professor John Keating, interpretado pelo Robin Williams, sobe na sala de aulas, empolera-se na cadeira, e diz, quando vocês acham que sabem alguma coisa, pensem de forma diferente. Podem parecer que são tolos, podem parecer que não faz sentido, mas às vezes há soluções que se encontram a partir daqui, numa perspectiva diferente.
24:10
E isso é verdade em comunicação.
Jorge Correia
24:11
E a comunicação ajuda a resolver problemas e a empurrar estrategicamente o que tu pensas para fazer a tua coisa? Isto é, a comunicação não é só acessória, faz parte da estratégia?
João Gabriel
24:25
A comunicação é cada vez menos acessória A comunicação é algo que nós fazemos É uma das coisas que nós fazemos ao longo da nossa vida Diariamente Quer no plano pessoal Quer no plano profissional Imagina, quando tu delegas uma tarefa Estás a comunicar confiança na pessoa A quem estás a delegar Quando não respondes a um e-mail estás a comunicar Enfim, tudo na nossa vida comunica
Jorge Correia
24:47
Não comunicar é também comunicar
João Gabriel
24:50
Sim, não comunicar é comunicar Ou seja, quando tu não respondes estás a comunicar várias coisas uma de várias ou não tens resposta
Jorge Correia
25:02
não sei o que é que te posso dizer
João Gabriel
25:04
ou simplesmente não queres confrontar a pessoa com a tua resposta portanto o silêncio comunica tudo, ou seja, o que tu vestes comunica, o que tu fazes comunica nós somos um um nós somos multicanal comunicamos por todas as formas mas menos aquelas que nós não percebemos que estamos a comunicar.
Jorge Correia
25:27
Eu lembro-me que tu comentaste publicamente um gesto, neste caso de um presidente de um clube de futebol, Rui Costa, que era o gesto num momento de dificuldade de ter posto as tuas mãos na cabeça, que é um gesto de desespero, que todos nós conseguimos interpretar isso, e dizer ali está a comunicação e um líder fez uma comunicação mesmo sem dizer uma única palavra.
João Gabriel
25:51
Quando o Jesus asvejou no Porto, quando o Benfica perde o campeonato aos 92 minutos no Dragão, também estás a comunicar. Eu tenho uma… Há uma história que é muito interessante, principalmente quando há uma imagem fotográfica ou vídeo, e quando tu comparas, que é quando o Obama vai ao Vaticano com o Papa Francisco, Percebe-se a sintonia, a afabilidade, digamos, a alegria dos dois no encontro.
Jorge Correia
26:27
Isso vemos no olhar, vemos na maneira como se cumprimentam, na maneira como estão.
João Gabriel
26:31
Mas tu consegues pôr esta fotografia do Obama com o Papa Francisco e depois comparar quando o Trump ganha as eleições, no primeiro mandato, e vai ao Vaticano e vê a imagem, a cara do Papa Francisco na fotografia, os ingleses chamaram-lhe Stone Face, portanto, uma cara de pedra. completamente fechada, não havia empatia, não havia simpatia nenhuma. Portanto, se tu comparas as duas, só o cara do Papa Francisco transmite duas coisas completamente diferentes. Portanto, nós somos aquilo que transmitimos.
Jorge Correia
27:04
E isso dá para aprender?
João Gabriel
27:07
Quer dizer, em algumas situações sim, outras são completamente inesperadas. Tu falaste ali do gesto do Rui Costa, eu falei quando o Jesus perde as forças naquele minuto 92, isso é completamente inesperado, isso é o corpo reagir a algo que é enfim, que não se está
Jorge Correia
27:24
à espera. E depois não adianta nada tu tentar explicar o gesto, é um bocadinho como uma piada, não é? Quer dizer, ela está feita, ela já passou, ela tem tal força, tal capacidade, tal energia, que já passou.
João Gabriel
27:37
Cada vez mais, agora com a hora de sociais que multiplicam tudo isto, vou-te dar o exemplo ainda do Papa Francisco. Há uma, no dia 31, ele vai pela Praça de São Pedro a cumprimentar os fiéis. Tu deves-te lembrar disso. Não sei precisar o ano. E, de repente, está a cumprimentar as pessoas, está atrás de um gradeamento e há uma senhora que se agarra a ele e que lhe puxa ostensivamente a mão.
Jorge Correia
28:07
E a segurança entra em ação?
João Gabriel
28:08
Não é segurança. O Papa Francisco perde um bocado a cabeça e dá-lhe uma palmada. O que aquilo gerou documentário negativo mesmo dentro de algumas fações da própria Igreja Católica foi uma coisa brutal.
Jorge Correia
28:23
O Papa não pode fazer aquilo, no fundo.
João Gabriel
28:25
Mas o Papa é humano. O Papa perde a paciência como é evidente, como todos nós. Mas aquilo foi captado. Houve imagens. Qual foi a solução do Vaticano? Passados três ou quatro dias conseguiram localizar a Senhora e há uma imagem de uma audiência a sós do Papa com a Senhora que é…
Jorge Correia
28:44
Um pedido de desculpas.
João Gabriel
28:45
É um pedido de desculpas, como é evidente, e foi só os meios de comunicação do Vaticano que tiveram presentes e depois difundiram. Portanto, é possível corrigir, mas o ruído à volta do primeiro… Tu não consegues controlar o primeiro impacto. Isso é… Podes controlar num momento posterior. O primeiro impacto é sempre difícil.
Jorge Correia
29:06
Estava prometido, e eu quero falar contigo, do Pelé e do Maradona e de Cristiano Ronaldo. Subitamente acordamos todos um dia não acordamos, mas acordamos para as notícias descobrindo. Estes são os factos, é a única coisa que eu sei, o que nós sabemos depois do resto é comunicação à volta disso. E o capitão da Seleção Nacional e lenda do futebol nacional, português Cristiano Ronaldo, abandona o estágio da Seleção. E a minha pergunta para ti é, o que é que se faz numa situação destas, em termos de comunicação, no fundo, para tentar salvar o que é salvável?
João Gabriel
29:46
É muito difícil. As grandes multinacionais, grandes empresas, têm todas um manual de gestão de crises. Já vou ao Ronaldo, mas vou-te contar esta história que acho que vale a pena.
Jorge Correia
30:00
Aquele manual que a maioria nunca lê e está lá na prateleira?
João Gabriel
30:03
Não, mas há empresas que aquilo, quando há uma crise que está, digamos, elencada naquele manual, aquilo é carregado no botão e funciona tudo. Empresas de aviação É obrigatório ter
Jorge Correia
30:16
Sim, as grandes empresas todas têm
João Gabriel
30:18
A Starbucks tinha Um manual de comunicação em 2018 O que aconteceu em 2018 Deve estar lembrado Houve Dois negros que entram em Filadélfia Num Num café Da Starbucks Não consomem nada, estão ali simplesmente À espera E um deles pede ao gerente a casa de banho. O gerente diz que não e pede-lhes para sair. E eles dizem que não, que estão à espera de um amigo e ele chama a polícia, o gerente chama a polícia para expulsar.
Jorge Correia
30:53
Criou uma crise.
João Gabriel
30:55
E a polícia expulsa, mas qual é o problema agora? O problema é que uma situação crítica local torna-se global quando é filmada, quando é partilhada no Twitter ou agora no X, quando é partilhada no Facebook. E foi o que aconteceu porque houve vários clientes que estavam na loja que filmaram.
Jorge Correia
31:16
Geração TikTok e vamos apanhar um clipe disso que está a acontecer.
João Gabriel
31:19
E aquilo foi uma coisa viral. Manifestações em todos o Starbucks dos Estados Unidos. Enfim.
31:29
A Starbucks é uma empresa de retalho global de café. Portanto, o que está no manual da crise é problemas laborais, problemas de higiene, problemas com a qualidade do café. Não isto.
31:40
Não isto. E, portanto, isto é uma situação que foge daquilo que está planeado.
Jorge Correia
31:45
Por um lado é demasiado pequena para, provavelmente, fazer parte de um grande manual de crise?
João Gabriel
31:50
Não, porque é uma coisa completamente inesperada.
Jorge Correia
31:52
Como todas as crises?
João Gabriel
31:54
Não, mas há, por exemplo, uma companhia de aviação é garantida que tem um manual de crise e o que é que fazer em caso de um acidente de um avião. Portanto, isso é normal. Já agora há uma outra história de uma companhia de aviação muito interessante.
32:07
Portanto, o CEO da Starbucks percebeu a dimensão que aquilo estava a ganhar e logo na manhã seguinte foi ao Good Morning America, pediu desculpas, colocou um vídeo institucional em toda a rede da Starbucks, prometeu que se ia encontrar com os dois negros que tinham sido detidos e depois soltos, como é evidente, prometeu que ia trabalhar com instituições locais para que aquilo nunca mais acontecesse e, portanto, foi uma gestão veloz, com um porta-voz, com a autoridade, porque era o senhor da empresa, e conseguiu conter os danos. Fecharam as 170, não sei, uma barbaridade de lojas de cafés na América, durante um dia, para dar formação a todos os funcionários. Sabes que isto implica, a nível financeiro, uma brutalidade.
Jorge Correia
32:58
Mas eles precisavam de reverter aquele dano, e pensavam na imagem.
João Gabriel
33:01
E conseguiram reverter. e conseguirão reverter. Portanto, isto é um caso de boa gestão de crise, mesmo não estando contemplada no manual.
Jorge Correia
33:11
Portanto, a transformação de uma crise numa oportunidade, no fundo, algo aqui que correu mal, ela de facto teve uma capacidade de viralização que até é muito superior provavelmente ao impacto real que aquele caso teve, mas o facto que a partir desse momento a opinião pública demanda explicações e demanda no fundo… Uma ação. Uma ação. Sentes-se emocionalmente zangada, no fundo é isto.
João Gabriel
33:34
E o Starbucks agiu e agiu bem. Razão pela qual tu hoje em dia, aqui em Portugal ou em qualquer sítio onde das um café do Starbucks, podes sentar-te na loja, não consumir e não se passa nada.
Jorge Correia
33:45
Não acontece nada.
João Gabriel
33:46
Acontece isso a partir de 2018.
Jorge Correia
33:48
E da tal formação.
João Gabriel
33:49
E da tal formação. Agora vou-te contar uma história com uma companhia de aviação. A United. A United, enfim, houve um grupo de música country que ia de Halifax, no Canadá, para o Nebraska, dar um concerto. Despeçaram as guitarras e antes de levantar a voo em Halifax, o vocalista é avisado por uma pessoa que está atrás da maneira como estavam a tirar as guitarras para o contentor. E portanto ele ficou apavorado Porque perseguiu logo que as guitarras iam se partir Quando chegou Tinha um escala em Chicago Chegou a Chicago E foi apresentar a caixa Disse, olha, passa-se isto, eu queria apresentar uma caixa E as pessoas da United disseram Não, não, o segundo final é a Nebraska Tem que apresentar a Nebraska
Jorge Correia
34:43
O chamado não tem nada a ver com isso?
João Gabriel
34:45
E aconteceu em Nebraska Quando chegam é uma da manhã Não há ninguém da United para apresentar a caixa quando eu fui levantar as guitarras estavam todas partidas, como é evidente e portanto seguiram-se nove meses de telefonemas e e-mails sem resposta até que ele faz um vídeo com uma música intitulada a United Partiu das Minhas Guitarras e o vídeo torna-se viral o vídeo é notícia de jornais nacionais é notícia de televisões nacionais
Jorge Correia
35:16
portanto pôs fermente na crise
João Gabriel
35:18
Não, porque a United ignorou o problema durante nove meses O que acontece? A bolsa, quando a cotação da bolsa da United Caiu quase 100 milhões de euros nessa semana
Jorge Correia
35:29
E passou a ser um problema
João Gabriel
35:30
E passou a ser um problema Até que compensaram pelo valor devido As guitarras que tinham partido nove meses antes Portanto, aqui é má gestão de crise Também numa situação que seguramente não estava no manual da United
Jorge Correia
35:43
Olha, o que que…
João Gabriel
35:44
Voltando ao Ronaldo
Jorge Correia
35:45
Como é que tu viste tudo isto? Tu, um espectador atento e que conhece muito bem a comunicação de crise, conhece muito bem o futebol, o que é que tu percepcionas disto tudo?
João Gabriel
36:00
A Federação Portuguesa não tem um manual de crise. E mesmo que tivesse, não creio que esta situação tivesse acautelada. É muito difícil de gerir, Porque estamos a falar, cada um no seu terreno, de dois egos muito fortes. E, portanto, dá-se o caso, o Ronaldo abandona o estágio, e a partir daí, amigos de um lado e amigos de outro começam a procurar o culpado. O culpado é sempre, e, portanto, isto vai numa escala tremenda.
Jorge Correia
36:39
Há uma polarização?
João Gabriel
36:40
Há uma polarização evidente que torna mais difícil encontrar uma porta de saída. O que se procura é quem foi o culpado. Eu acho…
36:55
Eu trabalhei com o Jesus há quatro anos. É extraordinariamente metódico, é capaz de passar meia hora com a defesa porque há um centímetro da linha de fora de jogo que um dos jogadores não está a conseguir acertar. Ele lê muito bem o jogo, estuda muito bem as equipas.
37:10
Mas depois, o que acontece? É um elefante numa loja de porcelanas quando comunica numa conferência de imprensa.
Jorge Correia
37:16
Não é um diplomata?
João Gabriel
37:18
Não, aquilo é o Jesus. Aquela conferência de imprensa, aquilo que ele disse, ele não o faz para humilhar ou para se chatear quem quer que seja. Aquilo é ele. Porquê? Eu uma vez, quando estava a construir o livro Mantenham-se Loucos e Famintos,
Jorge Correia
37:38
que está aí ao teu lado, Esse título é bom.
João Gabriel
37:41
Falei com o Mourinho. O Mourinho dizia-me uma coisa muito interessante. Ele ia para qualquer conferência de imprensa com três ideias base que ele chamava a tábua de salvação.
37:51
Mas o Mourinho é uma pessoa que domina. Ou seja, ele diz o que quer, não diz aquilo que não quer. Ele conduz a conferência de imprensa.
38:00
O Jesus deixa-se conduzir pela conferência de imprensa e por isso é que ele começa a conferência de imprensa. A Marca às vezes só responde a duas perguntas sobre o Ronaldo e depois foram quatro ou cinco ou seis. e depois entusiasma-se e gosta de entrar em confronto com os jornalistas.
Jorge Correia
38:12
E se for picado, então aí vai atrás.
João Gabriel
38:14
E portanto, o Ronaldo, que apesar de pensar que não é humano, é humano, sentiu-se melindrado e sentiu-se magoado. Eu acho que ele hoje em dia não abandonaria o estágio em função de tudo aquilo que foi acontecendo. E mais, faz um comunicado que é terrível do meu ponto de vista.
38:36
Porquê? Porque põe lá, é ele que publica, não é mais ninguém, as oito condições que supostamente teria dado a Jesus para sanar a situação. Aqueles oito pontos são, digamos, transmitem o ar da perpotência, da arrogância do jogador que era evitado, era escusado por, independentemente de eles terem ou não falado.
39:02
E depois levanta uma questão mais grave do que essa, que é, se há um jogador, que pensa ter a capacidade de impor condições a um selecionador para poder voltar a estar integrado na equipa, o que é que ele não terá tido influência para trás?
Jorge Correia
39:20
Torna isto muito difícil. No fundo, o teu maior ativo, que é a maior vedeta de sempre, subitamente passa a ser o maior problema também, o que exponencia tudo isto.
João Gabriel
39:31
Jorge, há uma coisa que é assim, acabe esta novela como acabar, acho que há uma mancha reposicional que o Ronaldo não vai conseguir apagar. Porque quando diz que o selecionador tem que dizer sim senhor, eu errei porque o Ronaldo está ao nível do Pelé e do isto foi construído pela equipa do Ronaldo. Eu acho que é um absurdo total terem deixado sequer que chegasse a este ponto. Como é que se resolveu? Como é que se teria resolvido?
Jorge Correia
40:09
Já agora, antes da solução, a ideia de publicar esse comunicado no Instagram é um bom meio para chegar…
João Gabriel
40:20
Estamos a falar, não é de um Insta qualquer. É de um Insta que é global. Não sei quantos milhões de seguidores. Portanto, isso é um problema menor. Porque tem alcance E portanto o que ele quer O que Ronaldo e a equipa dele querem Era alcance
Jorge Correia
40:39
Então como é que resolvemos isto?
João Gabriel
40:41
Não sei Uma crise aparece Quando aparece Já há Ou seja, não é ali que surge Tinha que ter se resolvido antes Eu não sei qual foi a conversa Não sei se o Jesus esteve sozinho ou não Aparentemente sim Esteve com o Ronaldo E com o diretor do Al Nassar Também era diretor esportivo do JJ Há sete meses, oito meses atrás
Jorge Correia
41:07
Portanto, toda a gente se conhecia
João Gabriel
41:09
Toda a gente se conhecia Hoje eu reconheço o erro E acho que basicamente Devia ter ficado por aí Porque Há uma coisa extraordinária Voltamos ao início da nossa conversa Eu tive a sorte de fazer tudo O que gostei de fazer ao longo da vida E o Ronaldo está a fazer aquilo que sempre gostou de fazer Mas está a tentar um encontro que é inevitável que é o encontro de idade ele hoje
Jorge Correia
41:37
é inevitável
João Gabriel
41:39
ele já está com 41 anos e está a jogar alto nível enfim ele fisicamente está bem mas já não tem as competências desportivas que tinha há 5 ou 7 anos atrás
Jorge Correia
41:51
e a nossa própria expectativa também em relação a ele, lá está, é uma expectativa sempre muitíssimo elevada
João Gabriel
41:57
e portanto Eu… Não é uma questão de agradecer do sentimento de gratidão ao Ronaldo que é devido, mas esse sentimento de gratidão não pode condicionar o talento de uma geração mais jovem. E eu acho que isso foi condicionado ao longo de 3, 4, 5 anos para trás.
Jorge Correia
42:16
E essa é a equação que é preciso ser resolvida e que aparentemente é impossível de resolver.
João Gabriel
42:20
É porque eu acho que o Ronaldo pensa que o último jogo é sempre o próximo e que a última competição é sempre a próxima. E vai-se adiando a um problema, mas à medida que o tempo vai passando, as capacidades dos potentes do Ronaldo vão definhando. É inevitável, é o curso da vida.
Jorge Correia
42:35
Qual era o melhor conselho que tu lhe podias dar? Agora o Cristiano telefonava-te e dizia-lhe, João Gabriel, olha, tu já resolveste aqui vários berbicachos aqui, o que é que faz à vida? No fundo é esta. Primeiro um líder tem que saber fazer essa pergunta e ter essa humilhada para fazer essa pergunta, mas ele telefona-te e diz, sim senhor, e dez minutos depois, Jorge Jesus, que te conhece também, diz Jorge. Isto tem que ser uma conversa entre Jorge, nós temos que desemborrar isto também. Mas atenção,
João Gabriel
43:01
o Jorge Jesus aceitará o regresso de Ronaldo, sim ou sim, não tenho a menor dúvida. A questão é o Ronaldo engolir o sapo, voltar à concentração e haver uma convivência pacífica. Eles conviveram durante um ano e tal em Riad, quer dizer, eles conhecem-se. Agora, voltar à casa de partida é sempre difícil e vai ter que haver acedências de parte a parte. Portanto, o que eu lhe diria é, prepara-te, vens em novembro, és convocado e tens de se sujeitar a ser a estar no banco, a jogar 10 minutos ou ir para a bancada, quer dizer, é normal.
Jorge Correia
43:38
E para aquela festa que eu acho que todos nós nos sentimos convidados, que é esse último jogo.
João Gabriel
43:43
E que é merecido. A dona Dolores, a mãe, vamos lá ver, o Ronaldo é a nossa marca mais forte, é o nosso embaixador pelo mundo todo, é um exemplo efetivamente de vida, de onde ele veio as dificuldades que superou, o orgulho que tem em mostrar de onde veio e a família isso é inspirador e foi inspirador para milhões de pessoas em todo o mundo, portanto, quando a dona de Lourdes agora dizia que ele está a sair pela porta pequena, não, a porta é grande porque todo o percurso que ele fez até aqui é uma porta gigante portanto, este é um episódio e que efetivamente é negativo, mas vai ser uma página num livro de muitas páginas que ele vai ter seguramente e que ficará na história. Ele vai ser recordado daqui a 50, daqui a 70, daqui a 100 anos será a nossa melhor marca.
Jorge Correia
44:37
Olha, tu trabalhaste durante 8 anos no Benfica, provavelmente, seguramente, mesmo para um adepto do Futebol Clube do Porto, como é o meu caso, como a maior marca de futebol do país. Como é que é trabalhar comunicação quando um dia tu ganhas e há uma espécie de somos os maiores e agora ninguém nos para e no dia seguinte perdes e és uma catástrofe e isto vai tudo por água abaixo? Como é que se gera comunicação nessa montanha russa emocional e muito pouco tranquila de todos? Desde o presidente do clube até o adepto mais humilde.
João Gabriel
45:17
É muito complicado porque em qualquer empresa tu fazes uma avaliação semestral ou anual em função dos resultados. No futebol a tua avaliação é semanal e depende apenas de uma coisa que é a bola bate no posto e entra ou a bola bate no posto e sai.
Jorge Correia
45:35
Isto é uma coisa louca?
João Gabriel
45:36
É absolutamente louco, não depende de ti, tu podes ter feito tudo bem durante a semana e levas com o impacto de uma derrota. Uma das coisas mais difíceis de gerir Na minha passagem pelo Benfica Foram oito anos Muito desgastantes Mas foi o ano em que o Benfica perde tudo A jogar um futebol extraordinário Que é Perde o campeonato aos 92 no Dragão
Jorge Correia
46:02
O Kevin que marcou aquele gol Lá está impossível, não é?
João Gabriel
46:06
Perde a Liga Europa com o Chelsea E eu acho que o Benfica Não merecia ter perdido esse jogo e depois para arrematar digamos o pesadelo desse ano perde a Taça de Portugal com a Vitória de Guimarães treinado pelo Rua Vitória muito complicado porque em política tu geres convicções e manejas as convicções em futebol tu trabalhas com paixões e as paixões são não são racionais e num caso como este efetivamente é o impacto foi brutal. Sair daquele buraco
Jorge Correia
46:47
foi complicado. E depois isso condiciona a mesma maneira de comunicar, isto é, o momento em que tu estás, neste caso era Presidente Vieira, a maneira como tu o trabalhas, o treinas para comunicar num momento de sucessivas derrotas, como é que é isso? Como é que é esse diálogo?
João Gabriel
47:03
Não há, quer dizer, não há treino. Há portas de saída que se procuram encontrar. Porque O mais difícil, e nisso o presidente Vieira tinha mérito.
Jorge Correia
47:19
Aprendia depressa? Isso notava-se?
João Gabriel
47:22
Vamos lá ver. Tu estás num buraco. Perdeste tudo. Ou seja, chegaste a três finais e perdeste as três finais.
Jorge Correia
47:28
Os adeptos estão zangadíssimos em busca de dizer que a culpa é de alguém…
João Gabriel
47:32
A culpa é do JJ.
Jorge Correia
47:34
A culpa é do treinador. Ponto final. Isto é uma coisa também extraordinária, não é? E a decisão… Na realidade é um quase sucesso de três vezes e depois na realidade é uma derrota que é, então os treinadores já não servem.
João Gabriel
47:47
E a decisão, ou seja, qualquer outro presidente numa situação destas teria enverdado pelo caminho mais fácil, que é despedir o JJ, venha ao seguinte, acalma uma associativa e ele mantém o JJ. O que é extraordinário. A contestação continua no início da época porque vamos à Madeira, primeiro jogo do campeonato seguinte e perdemos, e portanto imagina Três finais perdidas e o primeiro jogo Do campeonato tu perdes Mas a partir daí Voltamos a ir a uma segunda final Da Liga Europa, ganhas o campeonato Portanto foi desta volta completa Até ao ponto de chegar nova gestão De crise que não estava no manual De instruções que é o JJ Partir para o lado
Jorge Correia
48:28
O que é que me podes contar disso? Que é a saída de um treinador Aí numa fase querida Por parte dos adeptos obviamente o treinador que havia de ficar 200 anos no clube e que subitamente faz as malas apanha ali um Uber na segunda circular e vai aterrar em Alvalade
João Gabriel
48:47
O mais extraordinário é que essa crise apanha-me de férias Tu tens férias? Eu tenho férias, poucas mas tenho e antes de partir de férias tinha-me sido uma reunião no Conselho de Administração em que tinha ficado apelabrado a renovação. E, portanto, eu vou de férias absolutamente convencido que o problema está resolvido e que não vai haver sobressaltos.
49:15
Qual não é a minha surpresa? Quando eu aterro, neste caso foi em Lima, no Peru, com a notícia de que o JJ tinha assinado pelo Sporting. Foi terrível, mas, pronto, é vida, não há nada a fazer.
49:29
O futebol é completamente irracional e por isso também é que levanta tantas paixões e é o desporto mais global em todo o mundo e portanto a comunicação é que tem que seguir as incidências do que se vai sucedendo não há um manual por onde a gente se possa guiar sem nenhum desvio
Jorge Correia
49:51
Olha, e não há maneira de treinar os jogadores de futebol e restante universo a que as respostas não sejam vamos dar o nosso melhor vamos seguir aquilo que o Mister nos pede e blá blá blá, que é uma K7 há umas exceções, é verdade
João Gabriel
50:11
é muito difícil porque o jogador que mais me surpreendeu era um jogador acima da média não só em campo, mas também fora dele foi o Pablo Leymar era um tipo absolutamente extraordinário Um pensamento muito bem estruturado Era um gênio em campo E era um gênio fora Além de vestir a Zara O carro dele, enquanto esteve no Benfica Foi sempre um BMW Série 1
Jorge Correia
50:43
Tens a certeza que era um jogador de futebol?
João Gabriel
50:44
Era um jogador de futebol
Jorge Correia
50:46
E bom, uma vez
João Gabriel
50:47
Excelente E portanto tinha um trato E uma maneira de ver as coisas Para mim ficou-me para a vida Mas é a exceção Porque o resto é muito o que tu dizes E depois às vezes Mas é preferível Manterem o guião E não haver nenhuma crise Do que pensarem e saírem do guião E levantam um 31 ao clube E por isso é que os clubes cada vez estão mais fechados A nível da comunicação Enfim É o que é
Jorge Correia
51:19
Vamos fechar Eu não quero deixar do futebol Porque eu descobri na preparação desta nossa conversa Que tu estavas na equipa ganhou o Mundial para Portugal. Portugal, Espanha e Marrocos. Qual é a tua expectativa? Aliás, como é que se ganha o Mundial?
João Gabriel
51:37
Foi fácil, por uma razão. Ou seja, quando o Comitê de Candidatura arranca, era um Comitê de Candidatura do Mundial entre Portugal e Espanha.
Jorge Correia
51:50
Pois havia um segurado da Ucrânia também, apareceu aí uma questão política mais.
João Gabriel
51:55
Era uma questão política, depois isso deixou-se cair completamente inviável, mas quando começa a surgir a possibilidade da Arábia Saudita se candidatar a 2030, tu começas a pensar em termos de votos. E tu, para ter os votos necessários para garantidamente ganhar o Mundial 2030, tiveste que ir buscar os votos africanos. E a única maneira de ir buscar votos africanos é incluir Marrocos na candidatura.
Jorge Correia
52:27
E o nosso vizinho de baixo
João Gabriel
52:30
Depois o Infantino Enfim Encontrou uma fórmula em que já não havia Ou seja, houve uma votação por reclamação Porque houve Num determinado congresso A decisão da Comissão Executiva A decisão de que sim senhor 2030 É Portugal, Marrocos e Espanha E 34 é Arábia Saudita E portanto Foi só Enfim, cumprir Os requisitos agora vamos ver vai ser um caminho duro porque evidentemente nós temos três estádios eventualmente vamos ter aqui uma meia final, agora a disputa está entre quem é que vai hospedar a final do Mundial, quem é que tem o jogo de abertura sendo que há mais mais uma coisa diferente de todos os restos dos mundiais é o centenário do primeiro mundial e portanto vai haver uma fase inicial que vai ser jogada na América do Sul, Argentina Uruguai e Paraguai e depois as equipas chegam lá há de ser uma semana antes vêm para a Europa ou para Marrocos e portanto o mundial continua vai ser uma aventura interessante de seguir
Jorge Correia
53:50
João Gabriel, obrigado por teres vindo, há muito tempo que não nos e foi uma conversa absolutamente maravilhosa.
João Gabriel
53:58
Muito obrigado Jorge.
Jorge Correia
54:01
Pergunta simples um programa sobre comunicação para quem quer boas respostas Legenda Adriana Zanotto
