A fatura chegou dobrada em três, dentro de um envelope castanho, como chegam todas. A senhora tem oitenta e dois anos e há muito deixou estas coisas para o filho. Ele compara, por hábito, o valor com o do mês anterior. Está mais alto. Não dramaticamente, só o suficiente para estranhar. Liga para a empresa de eletricidade. Descobre que o desconto de vinte por cento que tinha há um ano desapareceu sem aviso nenhum. Recupera-o numa chamada de cinco minutos.
Não há nada de extraordinário nesta história, e é precisamente por isso que interessa. Pedro Andersson conta-a como quem conta um episódio banal da própria semana, sem drama, quase a rir-se da simplicidade do gesto. Mas por trás dela está uma ideia incómoda: a diferença entre pagar a mais ou a menos raramente depende de sorte, de esperteza ou de conhecimento técnico. Depende, quase sempre, de alguém se lembrar de perguntar.
Há um mecanismo silencioso a funcionar nos nossos contratos de serviços, nos seguros, nos créditos à habitação. Quem está a ganhar com a tua inércia são os bancos, as seguradoras, as gasolineiras, diz Andersson, e a frase funciona como diagnóstico mais do que como acusação. As empresas vivem de clientes que não comparam, que não ligam a perguntar, que assinam um contrato e esquecem que ele existe. O preço mais baixo é quase sempre reservado a quem está disposto a ameaçar sair. A lealdade, ao contrário do que sugerem os folhetos de marketing, raramente é recompensada. É explorada.
O mesmo mecanismo atravessa o sistema fiscal, só que aí a maioria nem sabe que há um jogo a jogar. As deduções no IRS são os cupões de desconto dos hipermercados, mas quando pagamos os nossos impostos, resume Andersson, e a comparação tem a vantagem de tornar tangível algo que a maioria trata como inevitável. Há descontos. Há categorias. Há um atestado de incapacidade, atribuído a quem soma pequenas limitações médicas até perfazer uma percentagem, que pode significar a diferença entre pagar milhares de euros de imposto todos os anos ou não pagar nada. A informação existe. Está nos sites certos, nas leis certas. O problema nunca foi a falta dela. Foi sempre a distância entre o que está disponível e o que chega às pessoas de forma que consigam usar.
Há ainda uma camada mais funda nisto tudo, que Andersson nomeia sem rodeios: a inércia como traço cultural. As pessoas com capacidade de decidir, diz, muitas vezes não decidem, porque têm medo de errar e de cair em cima de si próprias se a escolha correr mal. Atravessa outras áreas da vida portuguesa, da escolha de um seguro à escolha de um médico, do investimento à mudança de emprego. A abundância de alternativas, que devia facilitar a decisão, acaba por paralisar quem teme escolher mal. Mais vale não decidir, parece ser a lógica implícita, do que decidir e arrepender-se depois.
Essa distância tem uma origem pessoal na vida de Andersson, e é aqui que a sua história deixa de ser sobre dinheiro e passa a ser sobre memória. Em dois mil e oito, era jornalista, a mulher era professora, e os dois viviam sem sobressaltos financeiros, até ao dia em que a Euribor disparou e a prestação da casa duplicou de quatrocentos para oitocentos euros. Estamos a brincar ao quê, lembra ter pensado, um jornalista e uma professora sem dinheiro para pagar a casa que tinham comprado dentro das suas possibilidades. A frase que usa para descrever o que fez a seguir é quase doméstica: sentaram-se à mesa e listaram, ao cêntimo, para onde ia cada euro que ganhavam. Descobriram quase três mil euros por ano a escorrer por hábitos que nunca tinham questionado.
Não há nada de heroico nesse gesto. É, na verdade, bastante administrativo, lento, um pouco humilhante para quem até aí se considerava financeiramente responsável. Mas é desse momento banal que nasce, mais tarde, uma rubrica semanal de televisão, depois livros, depois uma audiência que hoje ultrapassa as setecentas mil pessoas. Há uma ironia a notar aqui, que o próprio Andersson parece confortável em admitir: a sua autoridade sobre dinheiro não vem de uma formação académica em economia, vem de ter errado primeiro e de ter tido o trabalho de perceber porquê.
Essa origem talvez explique porque recusa o rótulo de influenciador e insiste no de educador financeiro, uma distinção que pode parecer semântica mas que define todo o seu método. Não vende a promessa de riqueza rápida. Vende a promessa, mais modesta e mais honesta, de que é possível dormir descansado sem o peso de uma conta por pagar. Chama a isso o sleeping point, o momento em que o dinheiro deixa de ser fonte de ansiedade diária e passa a ser instrumento de escolha. É uma definição de liberdade financeira que não depende de um número de património guardado num extrato bancário. Depende de uma sensação, e talvez seja por isso que ressoa em quem a ouve mesmo sem perceber nada de finanças.
Fica por responder, no entanto, uma pergunta que a própria conversa não resolve, e talvez não devesse resolver. Quanto desta inércia é, de facto, escolha, e quanto é cansaço legítimo de quem já não tem energia para mais uma chamada, mais um formulário, mais uma alínea do IRS para decifrar. Informação é poder e também é dinheiro, diz Andersson, e é verdade. Mas há um custo em transformar cada gesto do quotidiano numa oportunidade de otimização, e ninguém, nem o mais disciplinado dos educadores financeiros, consegue verificar todas as faturas, todos os contratos, todos os anos.
Talvez a pergunta certa não seja quanto dinheiro perdemos por inércia. Seja antes quantas das contas que pagamos hoje, sem olhar, só vamos descobrir erradas daqui a vinte anos, quando já não houver tempo para as corrigir.
A conversa completa com Pedro Andersson está disponível no Pergunta Simples.
Pedro Andersson:
É como irmos à nossa casa, abrir a janela e deitar cá para fora 50 euros, 100 euros, 500 euros, 1000 euros, assim, sem nenhum benefício. Porque se tu quiseres oferecer esse dinheiro, fazes donativos para a caridade ou ajudas quem precisa. Estas instituições não precisam de caridade. Eu aprendi que tinha de gerir melhor o meu dinheiro.
Jorge Correia:
Pergunta simples. Um programa sobre comunicação. para quem quer boas respostas.
A inércia, a inércia, a inércia da vida, sempre a inércia da vida. Há uma imagem simples que resume toda esta conversa de hoje. Abrir a janela de casa e atirar notas lá para fora.
100 euros, 200 euros, 500 euros, tudo pela janela fora, sem benefício nenhum para ninguém. Ninguém faria isto de propósito e, no entanto, diz o meu convidado, é exatamente isso que a maioria de nós faz todos os meses, sem dar por isso. Uma faltura mal revista, um desconto que caducou sem aviso, um direito que nunca fomos buscar.
Juntas, estas pequenas distrações custam às famílias portuguesas muito mais do que qualquer imposto novo ou qualquer subida de preços lá fora. Já ouvi esta conversa inteira e há duas coisas que não me saem da cabeça. A primeira é uma frase simples.
As deduções do IRS funcionam da mesma maneira que os cupons de desconto do supermercado. só que quase ninguém os usa. A segunda é uma fatura concreta, a da eletricidade da mãe do meu convidado, com 82 anos, que perdeu um desconto sem dar por isso e recuperou com uma única chamada telefónica.
É deste tipo de detalhes, pequeno, quase invisível, que mudou o rumo de uma conta no final do ano. O meu convidado de hoje é jornalista há mais de 20 anos, começou na rádio, ainda adolescente, na Covilhã, e desde 2011 é o rosto do Contas Poupança da SIC, Explicar dinheiro a quem nunca teve paciência nem tempo para perceber o dinheiro. Escreveu vários livros, venderam mais de 100 mil exemplares e agora tem um novo O Dinheiro à Prova de Crises.
Dá mesmo jeito para esta altura. Chega numa altura em que há guerra, inflação, juros altos e a sensação comum de que o dinheiro vale cada vez menos. Chama-se Pedro Anderson e vamos com ele perceber quanto dinheiro anda a sair pela nossa janela sem sequer darmos por isso.
Viva Pedro Anderson Viva camarada Agora cabe-te como jornalista e não só, e como escritor tu já tens vários livros publicados
Pedro Andersson:
O oitavo livro Muito obrigado pelo convite, é um prazer estar aqui outra vez
Jorge Correia:
Olha, é uma da última vez que nos encontramos tu estavas a lutar contra o algoritmo portanto, tu és o primeiro Dom Quixote de La Mancha do algoritmo tinhas quantos milhares de seguidores?
Pedro Andersson:
Não, longe disso longe disso de ser o primeiro, porque vários, houve uma vaga, o algoritmo lembrou-se de suprimir todas aquelas pessoas que falavam sobre dinheiro de uma forma direta. Ah, bruta! Influenciadores, os chamados influenciadores digitais financeiros.
E foram sendo bloqueados, bloqueados, bloqueados, bloqueados, até que chegou a minha vez. Portanto, antes de mim houve outros que nunca sequer conseguiram recuperar as suas contas. Mas porquê que isso aconteceu?
Jorge Correia:
porque o tipo de informação era uma… podia misturar, enfim, manipulação e outras coisas…
Pedro Andersson:
E há o joio, como em todas as profissões e todos os influencers e todos os educadores financeiros. Eu não me considero um influencer, quando muito um educador financeiro, no sentido em que partilha informações sobre dinheiro, de uma forma pedagógica. Há influenciadores e educadores financeiros que fazem disso modo de vida, nada contra, ganham dinheiro vendendo cursos, vendendo livros, dando consultas individuais de coaching ou de conselhamento financeiro e portanto eu sou jornalista não recebo nada por fazer isto não vendo cursos nada impede que no futuro venha a fazê-lo mas essas pessoas ficaram mesmo numa situação complicada,
Jorge Correia:
perderam os rendimentos no seu rendimento total e a ti de súbito o que acontece no teu Facebook, no teu Instagram é que subitamente o algoritmo Matute.
Pedro Andersson:
Recebi uma mensagem a dizer, o seu conteúdo foi considerado fraudulento, está a enganar as pessoas, de tudo de uma forma diplomática e em juridiquês, portanto consideramos que você, Pedro Anderson, é um perigo para a sociedade, está a violar as nossas regras que nós definimos e, portanto, a sua conta está suspensa. Pode reclamar clicando neste botão. Eu clico no botão, digo revejam isto, por favor, e passados uns minutos, recebo outra mensagem a dizer, reavaliámos a sua situação e a nossa conclusão é, definitivamente, perdeu a conta, esqueça-se, quiser, vá para os tribunais. Só isto. Obviamente, tu não falaste com ninguém,
Jorge Correia:
aquilo é uma máquina de lavar.
Pedro Andersson:
Completamente, sim. Uma torradeira. É um frigorífico, uma torradeira, sim. Senti-me tão impotente, tão injustiçado, já tinha acontecido a outras pessoas, portanto, não foi uma surpresa completa, mas pensava que não me aconteceria. aconteceu e, portanto, de repente perderes cerca de 200 mil pessoas que te seguem em conteúdos sérios, isentos, rigorosos é duro porque no fundo são anos e anos e anos de trabalho que se perdem.
Jorge Correia:
E é lutar contra, lá está, um algoritmo, um alguém que nós não sabemos quem é quer dizer, conhecemos o Zuckerberg que aparece na televisão, quer dizer, não sabemos quem é que é, não tem serviço de apoio ao cliente, não tem nada. Consegues imaginar se isso foi, enfim, uma onda que aconteceu e depois chegou a tua vez, ou se foi uma queixa, ou nem sequer consegue…
Pedro Andersson:
Houve uma altura em que as autoridades, nomeadamente a CMVM e outras talvez, queixaram-se muito de uma… Era uma praga mesmo, e ainda continua de alguma forma, com burlas, etc. Uma praga de supostos influencers, também no YouTube, a vender determinadas corretoras ou plataformas que, de facto, eram mesmo burla. Então foi preciso, de facto, travar aquilo.
E eles devem ter feito uma queixa, disseram, olha, os critérios são estes. Quem não cumprir estes critérios é para anular. E, portanto, foi isso que aconteceu e foi o bebê com água do banho.
Jorge Correia:
Olha, como é que ressuscitaste isto? Porque tu és um caso de alguém que, enfim, fez prova daquilo que estava a fazer, da boa fé das coisas que estavam a fazer e consegues recuperar essas contas.
Pedro Andersson:
Mas eu creio que não fui eu que consegui. Ou seja, o simples cidadão não consegue porque está a falar com uma parede. Não há qualquer hipótese.
Então o que é que aconteceu? Recebi mensagens solidárias de várias pessoas. Pessoas que me diziam assim Ah, Pedro, eu já trabalhei no Facebook, eu já trabalhei no Instagram, na Meta, já lá não estou há algum tempo, mas ainda tenho alguns contactos, vou ver o que é que consigo fazer.
Algumas pessoas com algumas responsabilidades públicas, institucionais, também me disseram Pedro, percebi o que é que lhe aconteceu vou ver o que é que consigo fazer por si, e portanto agradeci sempre a todos, pronto porque eu não consegui, sozinho não consegui passados que talvez uns 15 dias, entretanto já eu tinha feito tudo desde o princípio, uma página nova com mensagens nas redes sociais, a dizer, fiquei sem a conta, portanto se quiserem continuar a seguir me façam o favor de seguir esta agora portanto deixou de ser o Pedro Anderson oficial e criei uma nova a dizer pedroanderson.pt isto no Instagram e pronto lentamente ia recuperando a dada altura vou ao e-mail e recebo um e-mail da meta a dizer pedimos imensa desculpa, reconsiderámos a nossa decisão afinal você não é um terrível criminoso e tem a sua conta de volta pronto, portanto fica aqui o meu obrigado a quem me ajudou não sabendo eu quem foi
Jorge Correia:
Um anjo da guarda digital. Olha, a maioria dos portugueses têm problemas muito mais sérios e mais delicados do que este, não é?
Pedro Andersson:
Este problema é de primeiro mundo.
Jorge Correia:
Que é ir ali à bomba de gasolina e perceber que um litro de gasolina de gás óleo, bom, se não está ainda nos 2,5 euros, depende um bocadinho de quanto tempo isto se arrastar. O que fazemos a isto?
Pedro Andersson:
O que fazemos a isto? Gerindo, gerir melhor aquilo que temos, da melhor forma possível, e sendo que isto são só palavras, na prática como é que eu vejo a situação, porque é o que eu aplico na minha própria vida. Faço parte da classe média, ou seja, não recebo o salário mínimo nacional, mas recebo menos de três salários mínimos nacionais.
Portanto, para quem quiser fazer umas continhas? Pronto. Só para não pensarem que, ah, está bem, ele está a falar, mas de barriga muito cheia.
Jorge Correia:
Ela é o tipo da televisão e tal. Tenha bem, pronto.
Pedro Andersson:
Se eu estivesse lá a ganhar o que ele ganha, também eu dizia estas coisas e tudo era fácil. Vamos lá ver. Com exceção dos profissionais que precisam dos combustíveis para viver e que é uma despesa muito, muito grande e que vai abater aos lucros que têm.
Jorge Correia:
Ou que então tem que passar para a cadeia toda económica.
Pedro Andersson:
Mas eles também não podem fazer isso.
Jorge Correia:
Se não perdem negócio também.
Pedro Andersson:
Se não perdem negócio, não é? Portanto, estão a estreitar as margens. São eles que estão a absorver esses lucros.
Portanto, essas pessoas têm despesas de centenas, milhares de euros por mês, a situação é aflitiva, imagino eu, é só uma questão de fazer a conta. Agora, quando nós falamos de uma alteração de 20 cêntimos por litro, 30 cêntimos por litro, 40 cêntimos por litro, vamos lá ver. Sim, é preocupante, mas há situações de famílias em que se calhar são mais 20 euros por mês, ou 25 euros por mês, ou 30 euros por mês.
Portanto, é mais aflitivo a prestação subir 70 euros, a prestação do crédito à habitação, do que propriamente os combustíveis. Agora, qual é aqui de facto o problema? É a soma de tudo o que está a aumentar.
E isso sim é dramático, porque são 30 euros nos combustíveis, mais 50 na prestação da casa, mais a conta do supermercado, A eletricidade agora vai subir, o gás também vai subir, os seguros vão subir, tudo o que nós compramos está a subir porque todos estão a sentir o efeito da inflação na sua vida. E, portanto, eu imagino que haverá famílias que já estão a gastar mais mil ou mil e quinhentos euros por ano mantendo tudo igual.
Jorge Correia:
Sem fazer nenhum disparate.
Pedro Andersson:
Sem fazer nenhum disparate, continuando a viver como viviam no ano passado. Qual é o problema? é que nós não fomos aumentados de mil nem mil e quinhentos euros do ano passado para este. Nem vamos ser aumentados em mil euros no ano que vem.
Jorge Correia:
Até porque os salários estão muito congelados, é essa a sensação.
Pedro Andersson:
Hoje também depende dos setores. Os funcionários públicos têm vindo a ser aumentados, quem ganha o salário mínimo nacional têm vindo a ter aumentos muito relevantes.
Jorge Correia:
Mas aqueles que têm um salário médio, lá está, caem nessa sanduíche que é de não serem nem ricos nem pobres, no fundo, E, portanto, tem uma estagnação e uma degradação das condições de vida.
Pedro Andersson:
Tu já ganhas bem, não vais ser aumentado, vou aumentar quem ganha menos. E, portanto, lá estou eu a perder dinheiro outra vez, perder poder de compra.
Jorge Correia:
E o salário mínimo vai crescendo, mas, na realidade, como o médio não cresce assim tanto, está a haver aqui uma compressão. Daqui a bocadinho estamos todos…
Pedro Andersson:
A ganhar o mesmo. Ou seja, a situação que é dramática, depois, para quem gera empresas e equipas, e até nós próprios, a nossa motivação, é, então eu estou há 25 anos nesta empresa, nunca fui aumentado, ou foi aumentado muito poucas vezes, e agora quem entrou há 5 anos com o salário mínimo já está a ganhar quase o mesmo que eu. Então porquê é que eu me estar aqui a preocupar tanto com os resultados do meu trabalho, na medida em que depois isso faz crescer a empresa, ou não, influencia depois todos os resultados.
Portanto, eu imagino que haja muitas pessoas desmotivadas por este contexto em que nós estamos a viver. Portanto, mais uma vez, aqui, o que é que está do nosso lado? É a forma como eu estou a gerir aquilo que eu ganho e como é que eu estou a ganhar o meu dinheiro.
E aqui uma terceira vertente, que depois podemos conversar sobre isso, é como é que eu posso aumentar os meus rendimentos, muitas vezes, não necessariamente gastando mais do meu tempo, porque assim, se tiver dois empregos, vou ganhar o dobro, mas também, depois, para mim e para a minha família e para as minhas coisas, não é? Portanto, deixo de viver simplesmente para pagar contas. Vamos ter de, se calhar, abdicar um bocadinho do nosso conforto de só ter um trabalho.
Não quer dizer ter dois empregos, mas ter várias fontes de rendimento. E, às vezes, há formas criativas de nós conseguirmos fazer isso. Só temos de ter disponibilidade para isso e ter algum talento, seja ele
Jorge Correia:
qual for. Portanto, no fundo é tentar arredondar o nosso rendimento. Temos um trabalho que nos custa 40 horas semanais e é eu conseguir fazer pensar nos professores, poder dar umas explicações para poder compor o rendimento.
Pedro Andersson:
É um bom exemplo. A minha mulher é professora no ensino público. E, portanto, ela de vez em quando fala, olha, uma colega minha os pais dela têm uma quinta e todas as segundas-feiras ela traz cabazes e põe lá na sala dos professores e vende a 5, 6 euros cada cabaz e é uma fonte de rendimento para ela.
Uma professora, qual é o problema? Professoras que fazem artesanato, brincos, pulseiras, anéis e que também vendem aos colegas. Professores que dão explicações, professores que corrigem livros, que fazem revisões para editoras.
ou que não tenha nada a ver com isto que pintem que toquem música que vão cantar à noite em qualquer lado se tiverem jeito para fado ou outra coisa qualquer no meu caso descobri que a minha fonte de rendimento extra eram os livros
Jorge Correia:
faz uns livros, explica as coisas às pessoas crias um novo mercado, tens uma venda e depois tudo aquilo que há à volta que é convida, tu vais falar a sítios portanto consegues fazer-se arredondamento cada caso é um caso obviamente e muitas pessoas têm atividades informais e até, lá está, capaz das frutas é uma boa altura. Minha sensação é que estamos a voltar, ou eu a ver mais, chamada economia informal, no sentido de precisas de um canalizador, o canalizador liga-se, o canalizador diz sim, com recibo ou sem recibo.
Pedro Andersson:
Por exemplo, deste-me aqui uma ideia que eu já pensei muitas vezes. Eu tenho uma pancada, no bom sentido, de gostar de montar móveis do IKEA. Para mim, metade do divertimento é montar o móvel.
Jorge Correia:
Queres deixar o teu telemóvel para te convidar?
Pedro Andersson:
Imagina, por exemplo, eu sou jornalista da SIC. Podes dizer, não tens vergonha depois de… Estás na televisão e a seguir vais montar o móvel do IKEA.
Há pessoas que pagam para montar os móveis do IKEA. Isto é só para dizer que, quando nós não… Ou seja, se eu precisar de dinheiro e se eu não tiver vergonha de qualquer tipo de trabalho, seja abraçal, intelectual, seja outra coisa qualquer, há formas de aumentar os nossos rendimentos.
Exige tomar essa decisão e aceitar as consequências boas e más de nós fazermos pela vida. Porque se nós estivermos à espera, seja o Estado a resolver, seja a empresa a resolver, ou mesmo a família a resolver, quer dizer, essa resposta em muitos casos poderá vir tarde demais ou nunca chegar. Portanto, há uma parte em que temos de ser nós a acordar e a meter as mãos na massa para lidarmos com as…
Repara, nunca, em nada desta nossa conversa, estamos a falar em ficar rico, em ficar milionário, em atingir o fire, não é? chegar a uma altura em que eu posso dizer adeus ao trabalho e viver dos rendimentos. Estamos a falar, tragicamente, de apenas gerirmos o nosso dia-a-dia de uma forma equilibrada, de maneira a que eu, à noite, encosto a cabeça na almofada e durmo descansado, sem ter aquela preocupação terrível com pesadelos, a pensar se eu, esta semana, vou pagar a conta da água ou da eletricidade.
Jorge Correia:
E há muitas pessoas que, neste momento, provavelmente estão a fazer contas à vida.
Pedro Andersson:
Acho que já falámos sobre isto, mas continuo a ter esta avaliação do retrato do país, que é o país Portugal está dividido ao meio. Metade dos portugueses vivem mal e os outros vivem razoavelmente bem ou bem e uma fatia minúscula vive muito bem. Não está preocupado a ouvir estas nossas conversas nem a ver livros, nem a ler livros nem nada desse género.
Jorge Correia:
Só para nos contratar para montar os móveis, mas eu já…
Pedro Andersson:
Ah, sim, e pá, e nem perguntou quanto é que é. Ou perguntou no final quanto é que é. Posso pagar por M-Way? Aquela fatura não é preciso. Essa tal economia informal existe cada vez mais também, porque os impostos são altíssimos.
São altíssimos e muito trabalhosos, burocráticos. Entender os impostos é muito difícil. Imagino que em todos os países.
Jorge Correia:
Achas que aquilo é feito por propósito ou por tradição?
Pedro Andersson:
É o que é, porque tem de haver alguma espécie de burocracia.
Jorge Correia:
A minha sensação, a preencher o IRS é um bom exemplo, e aquilo até já está bastante mais simplificado, mas para quem trabalha por contrato de outrem, há tantas nós para estarmos atentos e colocarmos a casa ou o que for, volta e meia aparece lá, esqueceu-se da alíria e não sei o quê. Ótimo, bom conselho. A gente vai lá ver a alínea e diz, segundo o decreto XPTO, não sei o quê, declara que tudo isto é verdade.
Mas a gente nem sequer entende o que raio é que é lá a linha. Se for ler a lei, ainda entende menos. E, portanto, é um bocadinho um ato de fé.
É, sabe Deus, em princípio, é verdade o que eu estou a dizer.
Pedro Andersson:
Mas é um bocadinho o básico. Ou seja, eu tive… Obrigado.
Tenho exatamente… Não, tive exatamente as mesmas dúvidas que acabaste de mencionar. de passar muitas horas até perceber, falar com pessoas que percebiam, para eu depois tentar explicar de uma forma simples a quem quer entender.
Neste momento, não sendo eu contabilista, nem tendo nenhuma formação nessa área, acho que há coisas básicas que nós vamos ter de ter o trabalho de perceber. Agora, repara neste detalhe. Para meu benefício, porque se eu não fizer isso, eu vou prejudicar-me porque tudo está construído para favorecer o Estado.
O Estado nunca pode perder. Daí, por exemplo, o IRS automático. O IRS automático é fabuloso porque tu abres, pões a tua senha e diz-te lá vai receber isto ou vai receber aquilo, isoladamente vai receber isto, em conjunto se apresentar com o casal vai receber isto ou vai pagar.
E tu, desde que seja reembolso, não interessa-se a 100 euros.
Jorge Correia:
Portanto, é uma forma maximalista depois, que é…
Pedro Andersson:
Claro, o Estado faz as contas todas, ok, qual é o máximo que tu podes pagar? É isto, ok. E a pessoa, por preguiça ou por ignorância, carrega, sim, ok, não vou ter de pagar, é o que me interessa. Eu insisto muitas vezes.
Jorge Correia:
Não tendo até a ideia de que aquele reembolso, na realidade, é dinheiro que já pagou a mais.
Pedro Andersson:
Sim, sim, as pessoas não têm a senhora, acham muitas vezes que é uma pena do Estado, uma compensação pelas despesas que tem.
Jorge Correia:
É uma poupança forçada.
Pedro Andersson:
O que é que eu aprendi? É que se eu disser não, não quero o IRS automático, quero entregar manualmente, porque eu tenho esta despesa, esta, esta, esta e esta, que não está lá no automático, porque eu conheço os meus direitos, porque tenho uma incapacidade e aquilo não aparece lá, porque no automático apareceu um filho, mas eu tenho dois, porque eu posso acrescentar um seguro que, devido às minhas características, eu tenho direito a ele, mas o automático não pôs lá. Eu posso englobar para quem tem rendimentos muito baixos.
Posso juntar os depósitos a prazo e os certificados da forro e tudo o que eu ganhei. E o Estado tem de me devolver todos os juros que ficaram lá os 28% das mais-valias que eles ficam automaticamente. Só aparece o valor líquido da minha conta.
Jorge Correia:
E que tu devias pagar menos em determinados casos?
Pedro Andersson:
Claro, podes receber tudo devolver. É um direito de retorno, no fundo. Sim. Tu tens é de dizer.
Desculpe lá, Sr. Estado, eu tenho aqui mais isto para descontar. Eu dou esta comparação, não sei se costumas usar os cupões de desconto do hipermercado, seja qual for.
Jorge Correia:
Quando é nos cartões, aquilo é fácil de usar.
Pedro Andersson:
Pronto. Então, o que é que faz a pessoa que usa o IRS automático? Que é, mete as contas todas no tapete, as compras todas no tapete.
Quanto é que é? Ok, são 200 euros. Se a senhora tem algum cupão para descontar, ah, não, eu não ligue nada a isso, não sei o quê.
Quer fatura com o número de contribuinte, ah, não, não, não, de que a gente não tem nada que saber onde é que eu gasto o meu dinheiro. Ok, e pagas os 200 euros. O Pedro Anderza, ou o Jorge Correia informado, mete as compras no tapete e aquilo dá os mesmos 200 euros.
E a senhora pergunta, então e tem cupões? Eu disse, tenho. Tenho este para a carne, tenho este para o peixe, tenho este para o pão, que é as tais deduções.
Olhe, tive estas despesas em saúde, tive estas despesas em educação, ainda tinha aqui mais esta, que pouca gente conhece, e este acumula com este e tenho aqui mais um que eu recortei de uma revista, não sei o quê e portanto, ok, muito bem então, quanto é que isso dá? dá 140, porque tem aqui um desconto de 20% e portanto, eu levo as mesmas coisas e gastei menos 60 euros do que a pessoa que não se deu ao trabalho de usar os cupons e perceber como é que eles funcionam as deduções no IRS são os cupons de desconto dos hipermercados quando nós pagamos os nossos impostos.
Jorge Correia:
Sendo que aquilo é em muitas áreas pouco transparente. Isto é, tu tens a noção perfeita de que tens um determinado benefício e que podes, há os básicos que todos nós temos na cabeça. Descontos da saúde, descontos da educação, esses estão muito claros.
Mesmo assim, se não declarares lá que tens dois filhos e o número de contribuintes, provavelmente aquilo não faz a conta e nem percebeste como é que isto aconteceu. Mas há muitos direitos. Há direitos ou possibilidades que nós todos escapamos porque, por isso, simplesmente não lemos, não estamos informados, não percebemos?
Algo mais comum? Sim.
Pedro Andersson:
Especificamente nos impostos, depende muito das situações. Pessoas com fragos rendimentos, o englobamento. Não sabem sequer o que é que é o englobamento.
Eu também tive de investigar, porque eu também não sabia, nunca ninguém me ensinou. Portanto, é pegar noutros… Por exemplo, eu tenho uma casa arrendada.
Eu tenho uma situação específica. Os meus pais, vamos imaginar, têm uma reforma de 400 euros, portanto uma reforma miserável. O que é que os safa?
Têm uma casa arrendada que lhes rende 600 euros por mês. Então o que é que eles fazem? Eles entregam o IRS e, como têm rendimentos muito baixos, não pagam, mas também não recebem, porque não têm nada para deduzir.
No entanto, vão pagar 28% sobre o valor das rendas que pagaram. Por isso é que estas situações, estes idosos ou não, não tem de ser idosos, pessoas com fracos rendimentos, pagam sempre 2.000, 3.000 euros todos os anos de IRS por causa das rendas. Então o que é que tu fazes? Basta clicar numa cruzinha a dizer as rendas que estão no anexo de não sei o quê, porque eu tenho de declarar ao Estado que eu recebi aquele dinheiro.
Eu quero englobar os meus rendimentos. Portanto, aquilo vai entrar como soma à minha pensão de 400 euros.
Jorge Correia:
Queres juntar, queres no fundo declarar aquilo como um teu salário.
Pedro Andersson:
Exatamente. Vamos, o Estado dá este direito às pessoas. Está bem.
Quer juntar, mas o Estado não pergunta, tenho de ser eu a dizer. Olha, não me perguntou, mas eu sei. Eu quero juntar as rendas aqui à minha pensão, está bem?
E então o que é que vai acontecer? ou vais pagar muito menos, ou vais aproveitar os tais cupões de desconto dos impostos, da saúde, da educação, de todas as tuas despesas que dá para descontar, há o IRS que tu vais pagar porque subiste um escalão, o escalão em que já pagas IRS. Portanto, se já pagas IRS, podes descontar coisas.
É a diferença entre pagares 3 mil euros de IRS, ou não pagares nada, que também é uma forma de ganhares dinheiro, Ou então até teres reembolso de dinheiro. Ou seja, em vez de pagares 3 mil, recebes 200, 300, 600 euros. Há situações brutais.
Por exemplo, pessoas que têm doenças graves, isto é muito pouco conhecido em Portugal, e que não têm o AMIN. Não sei se já ouviu falar do AMIN alguma vez.
Jorge Correia:
Tem fim com o quê? Com incapacidade?
Pedro Andersson:
Um atestado médico de incapacidade moltioso.
Jorge Correia:
As pessoas precisam desse atestado para poder declarar nos seus impostos? Claro,
Pedro Andersson:
é a prova que existe em Portugal de que tens uma incapacidade. E, portanto, desde que, por exemplo, se eu tiver um episódio de câncer diagnóstico, posso viver depois mais de 100 anos a seguir, automaticamente tenho 60%. Mas se eu não pedir aquele documento, eu vou pagar impostos com uma pessoa que não tem qualquer espécie de incapacidade.
E basta ter isso para pagares muito menos impostos. em alguns casos até nada agora, que tipo de doenças é que pode dar isto? repara, há alguém que às vezes nós pensamos isto foi um erro que eu cometi durante toda a minha vida que eu só aprendi quando comecei a investigar estes temas porque eu não sabia que as pessoas com incapacidade tinham direitos no IRS e não apenas no IRS, também noutras áreas da vida que é mas não pedem esse documento porque não querem ficar com o carimbo de, vou utilizar a palavra, deficiente.
Eu não sou deficiente, eu ando bem.
Jorge Correia:
Ou então com medo de amanhã precisarem do empréstimo bancário para comprar uma casa e dessa informação poder no fundo carregar o juro
Pedro Andersson:
que tem que pagar. Isto é absolutamente privado e tu só usas se quiseres, não é? Portanto, no meu trabalho ninguém tem de saber que eu tenho o atestado, embora se eu o tiver aumenta automaticamente o meu salário porque em termos de retenção na fonte é uma categoria completamente inferior.
Mas isto para te dizer o quê? Qual era o meu erro? Eu pensava que uma pessoa com incapacidade era surdo, cego ou andava numa cadeira de rodas.
Jorge Correia:
A pensar sempre na coisa mais dramática ou mais radical dentro das incapacidades.
Pedro Andersson:
Quando eu percebo, espera lá, então mas qualquer doença dá. Se tu tiveres uma incapacidade, por exemplo, numa mão que te dê 25%, mais um problema renal ou qualquer coisa que te dá mais 15% mais um outro problema um dedo mindinho que qualquer coisa chega aos 60% o que interessa é a soma de todas as suas doenças depois há doenças que não se vêem por exemplo uma depressão pessoas que têm depressões profundas e que as impedem de trabalhar às vezes têm capacidades de 70, 80, 90% e estão, tu olhas para elas e estão ótimas, não é?
Jorge Correia:
Aparentemente.
Pedro Andersson:
Aparentemente. Portanto, basta ir ao centro de saúde e dizer, eu quero marcar uma consulta para pedir o atestado médico de incapacidade. Não é com médico de família, nem é nada. É uma junta médica específica para isso.
Jorge Correia:
Que faz essa avaliação.
Pedro Andersson:
Levas os relatórios e eles somam todas as tuas doenças. Eles têm uma tabela. Esta doença dá X, esta dá Y, esta dá não sei o quê.
E pronto. Com aquele documento, se atingir os 60%, não pagas IUC, não pagas uma série de impostos, pagas muito menos IRS. Podes ficar com a casa paga, por exemplo.
Não sei se alguma vez falámos sobre isto.
Jorge Correia:
Não.
Pedro Andersson:
Por exemplo, vou dar-te um caso. Um colega meu, na SIC, com quem trabalhava diariamente, uma vez disse, Olá, Pedro. Eu ouvi a tua reportagem sobre…
Fiz essa reportagem quando eu descobri isto, porque eu não sabia. Portanto, quando tu fazes um crédito à habitação, tens de fazer um seguro de vida. E há um seguro de vida bom e um seguro de vida mau.
Há o IAD e o ITP.
Jorge Correia:
Já me perdeste.
Pedro Andersson:
Ok, não interessa. Quando fazes um crédito à habitação, tens de fazer um seguro de vida. Certo? Certo. Pronto.
Normalmente, a gente diz assim, então, e qual é o mais barato?
Jorge Correia:
Ou então fazemos aquela… Lá está. Mais uma vez, os cupons. Que é, estamos no banco, então diga lá o que é que tem para vender. E compramos aquilo que ele tem para vender.
Pedro Andersson:
O problema é isso. É de cruz. É de cruz, foi assim que eu fiz o meu.
Jorge Correia:
Eu também, por isso é que eu estou a pensar.
Pedro Andersson:
Então, o mais barato…
Jorge Correia:
Se eu fizer uma avaliação de se estou a pagar muito ou pouco, se isto é justo ou não é, se as coberturas são boas ou não são…
Pedro Andersson:
Teste de saber, teste de ler o que lá está. Se nunca leste, essa é a primeira coisa que vais fazer quando sejas daqui.
Jorge Correia:
Quando chegar a casa vou ler.
Pedro Andersson:
Não, porque é a diferença entre as a casa paga ou não. Então, já agora aproveitamos em termos de literacia para explicar isto, o que eu acho que é importante. O IAD é incapacidade absoluta e definitiva.
Quer dizer que, se acontecer, tu deixares de trabalhar por causa de uma doença, seja ela qual for, dependendo da percentagem, essa percentagem normalmente é 90%, ou seja, tens de ficar a pescar os olhinhos, como costumamos dizer, de uma forma mais ligeira, apesar da gravidade da situação. Portanto, se ficares totalmente incapacitado numa cama, tem de dar comida à boca, o banco paga-te a casa. No entanto, essas situações são raríssimas.
Normalmente, quando isto acontece, já não estamos cá para contar.
Jorge Correia:
São catastróficas.
Pedro Andersson:
O ITP é a partir de, por exemplo, 55%. Ou seja, o meu, neste momento, já foi de 66,6%, depois baixei para 60%, depois re-reconunciei e agora está com 55%. Quer dizer que, se, por exemplo, eu tiver um AVCE, for atropelado, ficar incapacitado para trabalhar de alguma maneira, e tiver o tal AMIN, o atestado, com essa percentagem, eu entrego à seguradora e eu tenho a casa paga.
É menos uma preocupação. O ITP é incapacidade total e permanente. Repara como até os nomes são muito semelhantes para as pessoas não perceberem a diferença entre o outro.
Jorge Correia:
Lá está. E a maioria de nós,
Pedro Andersson:
quer dizer… Se tiver o A, é o mau. se não tiver o A a partida é o bom depois cada segurador utiliza as suas descrições repara como o acesso à informação na altura de decidir e depois de perceberes alterares muita gente depois desta reportagem foi ao banco e disse qual é o seguro que eu tenho quer mudar já e o que é que acontece na maior parte das situações tu consegues trocar para o outro e ficar com melhores coberturas e as tentas pagar o mesmo
Jorge Correia:
Simplesmente porque tens a capacidade de perguntar
Pedro Andersson:
Exatamente, é isso Voltando à história do meu colega Então ele disse-me Eu vi a tua reportagem Eu tenho uma incapacidade de 80% E eu disse, tu? Como assim? Quer dizer, trabalhamos Ele trabalhava e tudo Apesar de ter a incapacidade de 80% E eu disse, desculpa Perguntar, mas o que é que tu tens?
Não, eu tive uma situação em que foi preciso Retirar um órgão Portanto, foi preciso ser operado retiraram-lhe o órgão e só a retirada desse órgão deu-lhe a incapacidade de 80% e disse, vai já correr ao banco achas que sim, achas que vale a pena vai já, quer dizer o não está sempre certo, foi ao banco e ficou com a casa paga repara, de repente algo que era um peso tu pensas assim, se eu ficar mesmo doente e não puder trabalhar, como é que eu vou continuar a pagar a casa, é menos uma preocupação isto agora já sabem mais, não é? Espero eu. Mas lá está.
A informação é poder e também
Jorge Correia:
é dinheiro. Quando olhamos para a banca nessa ideia de renegociar, suspeito que a maioria das pessoas olha para o banco e dizem, ei, eu não vou conseguir nada quando entrar ali naquela porta, porque me vão encher de papéis e de bons argumentos para que nada aconteça.
Pedro Andersson:
Isso é a justificação de quem não quer fazer nada?
Jorge Correia:
Quase todos nós.
Pedro Andersson:
Mas lá está, se tu não fizeres nada Fiz tanto nada mesmo Estás a empobrecer-te a ti próprio O que é que está a ganhar com a tua inércia São os bancos, as seguradoras, as gasolineiras As empresas de eletricidade, do gás Da água não, porque não temos concorrência Mas em todas as áreas da nossa vida Em que há empresas concorrentes É só andar a saltar Para aquela que me fizer mais barato O truque é tão simples Porque repara Quantos bancos há em Portugal? Há muitos mas são limitados a população portuguesa não vai crescer 10 milhões o mercado não estica então qual é a única forma deles crescerem e apresentarem resultados é roubar clientes aos outros portanto eu quero ser sempre o novo cliente da minha nova empresa porque os clientes que eles já lá têm às tantas estão a pagar o triplo do que deviam estar a pagar mas como não se mexem para eles está ótimo nunca nenhuma empresa me ligou a dizer ó Pedro, lembrámos aqui, você já está aqui há tanto tempo nós estamos a fazer aqui preços mais baratos para os nossos novos clientes vamos baixar a sua conta também nunca ninguém nos faz esta temos de ser nós a fazer isto
Jorge Correia:
pelo contrário, as empresas muitas vezes dizem isto só se aplica a novos clientes estou a pensar nas telecomunicações
Pedro Andersson:
imediatamente o que eu digo é então quero anular já o meu contrato e quero fazer um novo e isso passa a ser um novo cliente
Jorge Correia:
mesmo sem sair de lá
Pedro Andersson:
se o critério é esse então eu saio só que se eu sair eles já sabem que se calhar eu vou ver a concorrência e se calhar vou optar por um que ainda é mais barato. E só por fazer esta pergunta eles baixam-me novamente. Vou dar-te um exemplo muito prático.
Sou eu que trato da eletricidade da minha mãe. Ela tem 82 anos. E portanto eu mudei para uma empresa de eletricidade que era a que fazia mais barato. Eu estou sempre atento.
Cai-me, saiu daquela e foi para esta.
Jorge Correia:
E isso dá para mudar várias vezes?
Pedro Andersson:
Uma vez por semana se quiseres, só que os contratos
Jorge Correia:
Portanto, porque uma coisa são os fios elétricos chegam lá a casa, outra coisa é…
Pedro Andersson:
A cidade vem toda pelos mesmos fios.
Jorge Correia:
Não muda nada. Ah, é fornecedores diferentes e mercados diferentes. Sim, sim.
Pedro Andersson:
A única coisa que muda é a faturação. Pronto. Então, ela estava com o melhor preço do mercado. Porquê? Porque faziam, embora o preço fosse mais elevado, faziam 20% de desconto sobre o preço que eles estavam a praticar.
Eu aceitei. Pronto. Muito bem, na boa.
Daqui a um ano, eu vejo isso. mas não vi e portanto recebo a fatura dela e de repente tinha subido muito em relação ao mês anterior disse, ah o que é que se passa aqui? foi olhar para a fatura e lá está por termos de literacia financeira olha, até o preço do kilowatt hora que eles estão aqui a praticar é um dos mais altos do mercado porque já tinha perdido o desconto dos 20% eu ligo para eles e digo então mas o que é que se passou aqui?
ah então, acabou o desconto portanto volta a ser, então mas não
Jorge Correia:
renovam. Este é o preço no fundo.
Pedro Andersson:
Não, mas quer renovar?
Jorge Correia:
Em princípio dávamos jeito.
Pedro Andersson:
Sim, porque eu já tinha visto a concorrência, portanto quando eu liguei já sabia que havia preços mais baratos na concorrência portanto mudava na boa. Era logo. Adeus e até à próxima. Até quando fizer é outra vez um bom preço.
Eu disse assim, então mas mesmo não sendo um novo cliente dá para retomar os 20% de desconto? Sim, quer. Quero.
Jorge Correia:
Fácil. Então pronto,
Pedro Andersson:
para o mês que vem já volta a ter os 20%. Se nós não tivermos esta atitude proativa, repara, isto são pessoas idosas, mas pessoas adultas e instruídas e cultas, com mestrados e pós-graduações, não estão para se ralar com isto, se calhar porque também, como ganham relativamente acima da média, não têm de estar preocupados com a conta luz e acham normal pagar 100 euros
Jorge Correia:
por mês. E estamos a desperdiçar no fundo o rendimento que temos.
Pedro Andersson:
E recursos que podiam estar a ser investidos para, em primeiro lugar, e no livro Dinheiro à Prova de Crises, a ideia é mostrar como nós gerindo bem o nosso presente, podemos criar uma margem de lucro. Nós temos de nos ver como uma empresa, portanto uma empresa tem de dar lucro se não der lucro, à exceção de institutos públicos, não tem de dar lucro pela sua própria natureza, não é? Mas em mercado livre, se não der lucro vai à falência.
Jorge Correia:
Neste caso as nossas poupanças.
Pedro Andersson:
Então, tenho que criar uma margem de lucro, que é o dinheiro que me sobra todos os meses, de preferência sobrar o máximo possível mantendo a minha qualidade de vida, para criar o fundo de emergência, seis a doze meses de todas as minhas despesas, para sempre que houver uma crise, eu ir lá buscar.
Jorge Correia:
Portanto, é um pé de meia com seis a doze meses das nossas despesas. O nome
Pedro Andersson:
moderno do pé de meia é fundo de emergência.
Jorge Correia:
É mais chique.
Pedro Andersson:
O pé de meia. Eu acho que os nossos avós guardavam de facto o dinheiro numa meinha embrulhada lá no baú das roupas. Imagino eu isto.
Jorge Correia:
E nós podemos de vez em quando sermos beneficiários desse pé de meia.
Pedro Andersson:
Repara, tudo isto que eu estou a dizer eu aprendi às minhas custas por ter batido com a cabeça na parede em 2008. Eu conto sempre esta história. Se tu vires que eu já contei isto interrompe-me.
Jorge Correia:
O que é que te aconteceu?
Pedro Andersson:
Mas, portanto, repara, eu era jornalista da SIC, ganhava relativamente bem, na altura. A mulher era professora, também tinha um salário estável e, portanto, nós nunca tivemos preocupações financeiras no sentido de poupar e precaver o futuro caso acontecesse alguma coisa. E, portanto, Queríamos jantar fora, íamos jantar fora, vamos trocar o sofá, vamos comprar este móvel, vamos comprar um carro.
Portanto, nada de muito extravagante, nada disso. Pronto, de vida normal. Em 2008, a crise dos bancos de Lehman Brothers, o Suprime, talvez algumas pessoas ainda se lembrem disso, a Euribor disparou para os 5%.
Ou seja, aconteceu exatamente aquilo que aconteceu agora recentemente. Agora, até foi mais grave porque vinha lá do fundo de valores negativos.
Jorge Correia:
E foi por aí acima.
Pedro Andersson:
A nossa prestação da casa ao banco de repente passou de 400 para 800 euros. Portanto, aqueles 400 euros de repente eu não tinha dinheiro para pagar a prestação da casa face a todos os compromissos que eu já tinha assumido no passado.
Jorge Correia:
Estavas, portanto, a viver acima das suas possibilidades?
Pedro Andersson:
Mas não tinha essa consciência. Porque eu estava a viver de acordo com as minhas possibilidades.
Jorge Correia:
Porque nós ajustamos sempre o rendimento.
Pedro Andersson:
Nós ajustamos ao nosso rendimento. E, portanto, desde que eu não devesse nada a ninguém, eu era o Prémio Nobel da Economia. Porque nunca ninguém me ensinou, nem a família, nem a escola, não foi necessário, se calhar naquela altura, que as crises acontecem.
E pode ser uma crise internacional, pode ser uma crise pessoal, posso ficar desempregado, posso ter uma doença, a outra pessoa pode perder os rendimentos, se for um casal, posso ter de pagar uma operação no privado que custa 15 mil euros ou 20 mil euros. Portanto, as crises acontecem se nós só não sabemos quando e quanto é que nos vão custar. então, de repente eu penso assim olha, um jornalista da CIC uma professora no ensino público não tem dinheiro para pagar a casa estamos a brincar ao quê?
o que é que é isto? não pode ser então, pela primeira vez na vida depois de vários anos casados sentámonos e vamos lá ver para onde é que está a ir o nosso dinheiro portanto, quanto é que estamos a pagar de luz? quanto é que estamos a pagar de gás?
quanto é que estamos a gastar no supermercado? quanto é que estamos a gastar em seguros? o banco, dá para mudar de banco para um mais barato?
posso renegociar o seguro de vida, listei todas as despesas…
Jorge Correia:
Foste ao pinga-pinga.
Pedro Andersson:
Ao cêntimo. E descobri que estava a gastar… Ou seja, naquele ano em que eu abri os olhos, em 2008, e foi aqui que nasce o Contas Poupanças, basicamente, pelo menos na minha cabeça, eu consegui reduzir os meus gastos normais, melhorando a minha qualidade de vida, em quase 3 mil euros.
Jorge Correia:
Portanto, o dinheiro que tu estavas a tirar pela janela.
Pedro Andersson:
É como irmos à nossa casa, abrir a janela e deitar cá para fora 50 euros, 100 euros, 500 euros, 1000 euros, assim, sem nenhum benefício. Porque se tu quiseres oferecer esse dinheiro, fazes donativos para a caridade ou ajudas quem precisa. Estas instituições não precisam de caridade. Eu aprendi que tinha de gerir melhor o meu dinheiro. E, portanto, ao perceber isto, sendo jornalista, porque eu podia perceber isto e ser canalizador ou mecânico ou engenheiro ou outra coisa qualquer
Jorge Correia:
Eu tenho de dizer isto às pessoas
Pedro Andersson:
Isto é informação útil Eu gosto muito de um conceito que não fui eu que inventei que é news you can use Ou seja, notícias úteis informação útil, prática para as pessoas
Jorge Correia:
Notícias que servem para coisas práticas
Pedro Andersson:
Notícias que são úteis na vida das pessoas Eu sempre tive essa perspetiva intuitivamente e depois no Contas Poupança quando começou em 2011 como rúbrica, eu pensava que aquilo ia durar seis meses e já vem 15 anos 15 anos é muito tempo a fazer uma rúbrica semanal sempre com informações que são úteis para as pessoas não desfazendo no resto da informação, também é útil tem a sua utilidade, temos que saber o que se passa no país e no mundo mas eu encontrei este nicho na informação que não só é útil para mim como é útil para as pessoas e é isso que eu tento partilhar em todas as plataformas que tenho e no podcast, nos livros, nas redes sociais, na televisão,
Jorge Correia:
enfim, em todo lado. Em tempos de crise, até porque a incerteza é maior e, portanto, muitas pessoas podem estar com combustíveis, obviamente, a conta do supermercado a subir, alguém que consiga poupar qualquer coisa faz o que é o dinheiro? Porque se a crise alastra por todo lado, quer dizer, compramos o quê? Compramos ações, pomos o dinheiro em certificados a fogo, porque aí entra mais uma ciência, não é? Mais coisas que é preciso saber.
Pedro Andersson:
São coisas… Quase sempre lá está
Jorge Correia:
a inércia, desculpa. Pomos o dinheiro no banco, na conta a prazo, que afinal rende 1% do juro e a inflação está a 3 ou 4 e nós nem sequer estamos a perceber que estamos a perder dinheiro todos os dias.
Pedro Andersson:
Repara que fizeste imensas perguntas. Só tens de responder a essas perguntas que fizeste. Ou seja, não é pelo facto de teres dúvidas que isso é uma desculpa para não fazeres nada.
Como há tantas alternativas, e tenho medo de escolher a errada, mais vale não decidir. Eu acho que isto é um drama português, se calhar não apenas na área financeira, mas em várias áreas da sociedade. É uma inência cultural.
As pessoas com capacidade de decidir, muitas vezes não decidem, porque depois vão cair-me em cima se isto correr mal.
Jorge Correia:
Lá está. Se eu pensar desde o certificado da forro até à criptomoeda mais agressiva, não é…
Pedro Andersson:
Há muitas alternativas. Por isso, o meu objetivo, com a forma como eu tento comunicar estes temas é simplificar as coisas ao máximo. Não compliquemos a nossa vida. É que é mesmo simples. Tem de sobrar dinheiro.
Jorge Correia:
Essa é a primeira regra.
Pedro Andersson:
Não posso nunca gastar mais do que aquilo que eu ganho, nem posso gastar tudo aquilo que eu ganho.
Jorge Correia:
Mesmo uma pessoa que tenha um rendimento baixo.
Pedro Andersson:
Mesmo que tenha um rendimento baixo. Ou seja, a partir de 10 euros é possível poupar. Não podendo, serão situações em que tens de recorrer aos apoios do Estado.
Jorge Correia:
E que também há e que muitos de nós desconhecemos.
Pedro Andersson:
Sim, sim, sim. Podemos ir lá depois se quiseres. Porque repara, quem ganha o salário mínimo nacional eu acho que são os heróis em Portugal e são das pessoas que mais sabem lidar ou melhor sabem lidar com o dinheiro.
Jorge Correia:
Há uma necessidade.
Pedro Andersson:
Porque para já conhecem a palavra mágica do dinheiro que é o não. Apetecia-me comprar isto? Posso?
Não. Está resolvido. Se eu tiver dinheiro, apetece-me comprar isto? Posso?
Posso. Então vou comprar.
Jorge Correia:
Porque não.
Pedro Andersson:
Aquele filtro do não é aquilo que muitas vezes faz a diferença na vida das famílias. Mas tens de saber porque é que dizes que não. Não é não para sofrer. nunca defendo a imagem do tio Patinhas. Nós temos de viver a nossa vida, temos de saber aquilo que nos dá prazer, aquilo que nós gostamos, e então é para aí que nós vamos canalizar os nossos recursos.
Jorge Correia:
Necessidade de fazer escolhas.
Pedro Andersson:
Agora, sobrando dinheiro, o primeiro passo tem de ser o fundo de emergência. Todas as famílias em Portugal, independentemente dos rendimentos que tenham, mesmo que demorem 3, 5, 10 anos a atingi-lo, é simples, é fazer a tal lista de para onde vai o meu dinheiro, multiplicar por 6 ou por 12, dá um valor, 5 mil euros, 10 mil euros, o que for, e portanto esse dinheiro é sagrado até ao último dia da minha vida. E então aí é simples, ou na conta à ordem, e aí vais estar a perder dinheiro para a inflação, ou em depósitos a prazo, que rendem uma miséria e vais estar a perder para a inflação, ou certificados de aforro, que rendem um bocadinho mais, perdes para a inflação, mas não perdes tanto. Portanto, eu diria que a solução é simples, certificados de informe.
Jorge Correia:
E ainda por cima são investimentos no Estado. É do Estado,
Pedro Andersson:
é o mais seguro que há. Podes fazer a partir de 100 euros e depois com reforços de 10 euros por mês. Só não podes mexer nos primeiros 3 meses.
A partir daí podes levantar quando quiseres. E, portanto, é um dinheiro que está ali e que te permite aquela coisa do que eu chamo o sleeping point. Ou seja, é o momento em que tu te deitas sem preocupações financeiras imediatas.
Quando tu começas a pensar em desejos, quer dizer que já tens visto esse patamar. Eu gostava de comprar. Já não estás preocupado. Tenho que pagar a luz ou a água ou como é que eu vou pôr comida na mesa para os miúdos ou não tenho dinheiro para a atividade extra da criança.
Gostava que fosse para a natação mas não tenho dinheiro. Portanto, a partir do momento em que tudo isso está controlado… É uma libertação?
É o teu momento de liberdade financeira em que passas a ter poder de escolha agora, esse dinheiro está guardado para emergências, não é para telemóveis telemóveis não são uma emergência a não ser que precises deles para trabalhar para trabalhar e para viver vou falar do sentido de telemóveis
Jorge Correia:
e se calhar não precisas de um telemóvel dos 1500 euros um telemóvel de 300 euros isso é o luxo
Pedro Andersson:
caso tenhas, já depois o fundo de emergência completo, queres fazer isso junta para isso e faz, mas não tires dali férias não são emergência o aumento dos combustíveis não é emergência no entanto posso ir lá buscar em situações pontuais portanto, repara como já simplificámos enormemente a nossa vida, se não tinha um objetivo na vida financeira agora já tenho, gerir melhor o meu dinheiro não gastar nem mais um cêntimo daquilo que eu quero gastar e onde eu quero gastar criar, vamos apontar para os 10% que eu retiro assim que eu recebo o meu salário o truque é pagar-me a mim primeiro antes de pagar às empresas, antes de pagar ao Estado antes de pagar seja a quem for e vai para aquela tal conta do fundo de emergência se eu ganho mil euros são cem euros e tens de pôr isto em modo automático não tens de passar por ti
Jorge Correia:
e os bancos fazem isso? claro, débito direto para ali
Pedro Andersson:
portanto, seis meses a doze meses dessas despesas, está atingido esse balde está cheio então vamos começar a investir para o nosso futuro E aí é que entram outras alternativas em que novamente vais ter de ler um bocadinho, pensar um bocadinho, ouvir podcasts, perguntar a amigos que já sabem. Porque às vezes as pessoas não investem por causa do risco, têm medo de perder o dinheiro. Só que o risco de não fazer nada pode ser igualmente grave, porque a inflação está a comer o teu dinheiro todos os dias e tu não o vês. Portanto, a única forma de tu chegares daqui a 5 anos, 10, 20, até a idade da reforma, com dinheiro suficiente para não teres de estar preocupado com os cortes que vais ter na reforma, vais ter de começar já imediatamente.
Jorge Correia:
É poupar.
Pedro Andersson:
Não, poupar já poupaste. É investir. Portanto, a partir do momento em que o balde do fundo de emergência está cheio, os 10% deixam de ir para aí e passam a ir para o balde do investimento. E aí entramos, sim, em fundos de investimento, em fundos PPR, em ETFs, criptomoedas, na minha opinião, é demasiado arriscado para quem não percebe nada disto, mas é uma possibilidade para quem conhece. E esse dinheiro não lhe faz falta, portanto é tipo jogar no euro milhões, se não ganhar, não ganhei.
Jorge Correia:
Dinheiro que tu podes perder, no fundo.
Pedro Andersson:
Dinheiro que sim, portanto, é dinheiro que não vais precisar dele nunca.
Jorge Correia:
Uma lógica de diversificação?
Pedro Andersson:
Numa lógica de diversificação Porque é assim, a ferramenta financeira Onde eu já ganhei mais dinheiro foi nas criptomoedas No entanto, agora estou a perder Não é?
Jorge Correia:
E sangustia-te?
Pedro Andersson:
Não, porque era dinheiro que eu podia perder Não é? Portanto, quando eu lá pus dinheiro Foi na… Eu penso sempre assim, quando põe dinheiro num sítio é Vou fazer de conta que Bati com o carro E que vai precisar da frente Toda nova E que o meu seguro não paga não é danos próprios. Portanto, se eu perder este dinheiro foi um azar que me aconteceu e não me vai prejudicar nem a mim nem a minha família.
Jorge Correia:
Põe-lhe lá um bocadinho de dinheiro para ver como é que aquilo corre.
Pedro Andersson:
Eu começo sempre com 100 euros. 100 euros? Sim.
Que é para eu perceber como é que funciona. Ponho 100 euros naquela ferramenta e vou acompanhando e vou vendo como é que aquilo corre. Tenho de perceber o que está a acontecer.
E depois Resgatar algum desse dinheiro. Todo, se aquilo não serve para mim. Se servir para mim, eu retiro só para ver como é que é o processo de retirada.
Jorge Correia:
Se é fácil.
Pedro Andersson:
E se o dinheiro é exatamente aquilo que eu estava à espera. Porque há produtos financeiros em que depois lá, mas depois, está tudo escrito, tu é que não lês, depois tem uma comissão de resgate. Ou seja, quando resgatas, um, dois ou três por cento fica para eles.
Jorge Correia:
Portanto, lá tu vai uma parte da rentabilidade.
Pedro Andersson:
Tu pensas que estás a ganhar dinheiro e, no fundo, quando resgatas, não era aquilo que estavas a pensar e às vezes até tens prejuízo. Portanto, eu testo o circuito todo e, se eu ganhar confiança naquele produto, então é que eu ponho mais. E as pessoas cometem muito um erro que é tenho 50 mil euros, tenho 10 mil euros, onde é que eu ponho este dinheiro?
Nunca ponho o dinheiro todo só num produto, ainda por cima se não conhecem. Então, se tem 30 mil euros, ponho 10 mil euros num PPR, 10 mil euros num ETF, 10 mil euros num fundo de investimento ou numa commodity, como se diz agora, pode ser o petróleo, pode ser o ouro, terras raras, seja lá o que for, algo que a pessoa se identifique e perceba um bocadinho do mercado. Portanto, ou obrigações e uma parte também certificados do forro ou do tesouro.
E depois, vi, perante os mesmos acontecimentos, como é que cada ferramenta se comporta. E outro erro que as pessoas cometem é se está em perda, pensam logo em resgatar antes de perder mais.
Jorge Correia:
Aí o mercado está por aí abaixo e agora vou perder dinheiro.
Pedro Andersson:
Vou já tirar antes que isto desça ainda mais. Já perdemos qualquer coisa? Ou seja, só compram quando está em alta e toda a gente fala nisto.
Está toda a gente a ganhar, não sei o quê. Vou fazer. Ok, já comprou alto.
Como comprou alto, basta qualquer coisa que aconteça. Aquilo deste. Ai, já estou a perder.
Vou tirar. Eu sabia que não me devia ter metido nisto.
Jorge Correia:
A lógica devia ser contrária. Quando isto baixa, comprar.
Pedro Andersson:
Claro, portanto, sempre que eu tenho um dos meus investimentos, a partir do momento em que eu confio neles, está em queda, é esse onde eu vou pôr mais dinheiro se tiver.
Jorge Correia:
Porque, em princípio…
Pedro Andersson:
Estou a comprar aquele pedacinho que eu puser lá, estou a comprar muito mais barato. Assim que voltar… Está a perder 20%, não é? Assim que voltar ao zero, do outro antigo que eu lá tinha…
Jorge Correia:
E já ganhaste 20%?
Pedro Andersson:
Este já ganhou 20%. Portanto, quando o outro ganhar 5, eu já estou a ganhar 25 com este pedacinho que eu pus quando comprei em saldos.
Jorge Correia:
Estamos a fechar, apesar da tua felicidade para criar sempre um livro que há uma nova, quando há uma nova crise, não há maneira de que ciclicamente estejamos sempre a viver uma crise e outra crise e passam cinco anos e vem uma crise e outra vez outra crise?
Pedro Andersson:
Tu és um otimista quando falas em cinco anos, ou seja, a expressão mais feliz que eu encontrei para descrever a nossa situação atual é, Lembras-te do comboio de tempestades, não é? Portanto, vinha uma, ainda não acabou, já estava a levantar telhados no outro lado ou no mesmo sítio. Nós estamos a passar por um momento histórico em que temos um comboio de crises.
Portanto, antigamente tiveste a bolha da internet, depois tiveste o subprime, depois tiveste a Covid, estou a salteia das dívidas soberanas. Repara, eram os tais de 5 em 5 anos, mais ou menos. Já sabia, está na altura de ter aqui uma crisinha.
Vamos lá ver o que é que aí vai.
Jorge Correia:
Quando se há crise, uma dor durante um ano ou dois, recuperação, depois o segundo, terceiro e quarto ano a coisa melhorava.
Pedro Andersson:
Desde a Covid, repara, a seguir à Covid voltou tudo ao normal e estava tudo histérico. Depois a guerra na Ucrânia. Depois as tarifas do Trump.
Agora a guerra do Irão. E, portanto, são cada vez mais, às vezes, várias crises no mesmo ano. E as mais antigas não se resolveram.
Jorge Correia:
continuam. E não sabemos quando é que elas acabam.
Pedro Andersson:
E em tudo isto, a economia parece estar a adaptar-se. Por muito estranho que pareça, os meus investimentos em Bolsa estão no pico de sempre. Ou seja, apesar de tudo isto, se eu resgatasse agora, os meus investimentos, tenho investimentos que estão a crescer mais de 100%.
Jorge Correia:
O que parece improvável com tantas
Pedro Andersson:
catástrofes ao mesmo tempo. Tudo isto é estranho. Isto não, supostamente, olhando para os livros e para as teorias, isto devia estar tudo a acontecer ao contrário.
Devia estar a subir o ouro e as bolsas estarem em queda. Mas não, estão a subir os dois, o ouro também está a subir. Mas como é que isto explica?
O mundo está caótico e voltando ao início da nossa conversa, temos de ser nós a preparar-nos a ter o nosso dinheiro à prova de crises. O que é que isto significa? Termos a certeza de que estamos a ser bons gestores do nosso dinheiro.
Não há melhor gestor de conta do que nós próprios. Porque o senhor do banco trabalha para o banco, não trabalha para nós. É o gestor de banco atribuído pelo banco para nos vender os produtos do banco quando fala connosco.
Portanto, eu tenho de ser o meu melhor gestor de conta, o meu melhor contabilista, o meu melhor fiscalista. Tenho de ser o melhor CEO da minha vida financeira e da minha família. Tenho de criar margens de lucro, ganhar margem para colocar no fundo de emergência e depois começar a investir.
Aqui no livro tens todos estes passos, que eu tentei explicar da melhor forma, da forma mais simples e prática, de depois, passando para cada um dos passos seguintes, quais são as melhores alternativas, de acordo com o perfil de cada um. Porque aquilo que é bom para mim pode não ser para ti. Portanto, o importante é o tal ponto de sono.
Jorge Correia:
Isto descansa.
Pedro Andersson:
Se não investir é aquilo que te deixa mais descansado, é isso que deves fazer. Se a mim me deixa, me tira ao sono não estar a investir porque sei que estou a perder o meu dinheiro, então eu tenho de começar a investir. Pois aí começam as outras questões todas. Agora, em conclusão, eu acho que aqui o ponto fundamental é nós assumirmos, utiliza-se muito aquela expressão temos de nos empoderar, não é? vários setores da sociedade
Jorge Correia:
temos de tomar conta de nós
Pedro Andersson:
temos de dizer, não, eu sou responsável pelas minhas decisões eu não vou adquirir isto comprar isto, só porque me estão a dizer que eu tenho de o fazer eu não tenho de pagar isto se ao lado eu posso ter mais barato eu não posso deixar de investir só porque tenho medo por ignorância vou ter de aprender sobre como tomar as melhores decisões não tomar decisões impulsivas E eu acho que se nós mudarmos esta mentalidade, esta atitude, porque ouço muitas vezes, ah, mas as escolas já estão a começar. As escolas é daqui a 20 anos para quem está a nascer agora. Se chegarmos lá, temos de viver com estas crises, com os nossos rendimentos, com as nossas despesas.
Esta é a nossa selfie financeira neste momento. Tenho de saber onde é que eu estou, para onde é que eu quero ir. E dar os passos o mais depressa possível para ver se ainda consigo atingir alguns dos objetivos que ainda é possível atingir.
Se não der para mim, começar já a fazer isto para os nossos filhos. Pedro Anderson,
Jorge Correia:
obrigado.
Pedro Andersson:
Obrigado, foi um prazer.
Jorge Correia:
E olha, investe lá bem o teu dinheiro e continue a contar coisas.
Pedro Andersson:
Vou tentar, olha, e se correr mal, pelo menos tentei. É isso que eu digo às pessoas.
Jorge Correia:
Até ao Pedro aconteceu. É melhor que não aconteça. É melhor que tu sejas um caso de sucesso. Pelo menos tu.
Pedro Andersson:
Para mim, sim. E para nós também,
Jorge Correia:
não é?
Pedro Andersson:
Sim, mas é muito importante este…
Jorge Correia:
Eu quero-te como uma boa influência.
Pedro Andersson:
Também eu? estou a fazer aquilo que eu acho que é melhor e estou a tentar não me deixar influenciar estou a tentar pensar pela minha própria cabeça e esse é o desafio que eu lanço sempre às pessoas ou são tudo, não me ouçam só a mim, leiam muitos livros ou são outras pessoas, pensem adequem ao vosso perfil e aos vossos rendimentos e depois tomem as decisões que vos deixem mais descansados que nunca aconteça o Pedro Anderson de 80 anos, perguntar ao Pedro Anderson de agora, então o que é que fizeste agora para eu agora ter um resto de vida mais ou menos… Desculpa lá, o preocupante foi comigo, quero lá saber agora do Pedro Anderson com 80 anos.
Mas não podias ter pensado um bocadinho mais em mim porque as pessoas dizem ah, eu sei lá se vou estar vivo. A boa notícia é que muito provavelmente vamos chegar a velhos. E cada vez mais a estatística diz isso.
Pode não acontecer. Mas a probabilidade de chegarmos lá à frente é gigantesca. E isso é excelente, é uma boa notícia, a mim alegra-me saber que ainda vou viver muito tempo, aproveitar a vida, mas de preferência com a máxima qualidade possível e eu sou responsável para tentar criar as condições para que isso seja possível.
Se vou conseguir ou não, não sei. Daqui a uns 20 anos depois, voltamos.
Jorge Correia:
Eu digo-te, olha,
Pedro Andersson:
afinal correu bem ou correu mal.
Jorge Correia:
Pedro, obrigado.
Pedro Andersson:
Foi um prazer, obrigado.
Jorge Correia:
Pergunta simples. Um programa sobre comunicação. Para quem quer boas respostas.
