Onde está a verdade da voz? Inês Castel-Branco

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Onde está a verdade da voz? Inês Castel-Branco
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Há uma cena que fica. Uma rapariga de catorze anos entra numa audição, engasga-se no monólogo, tropeça no diálogo e prepara-se para ir embora. Pedem-lhe uma improvisação com uma cadeira. Ela pega no pânico que traz dentro e transforma-o em personagem. Faz toda a gente rir. O medo não desapareceu naquele instante. Mudou de função.

Falámos de voz durante quase uma hora e percebi que a voz é o sítio onde as pessoas se traem primeiro. Sobe quando discutimos, mesmo quando tentamos parecer calmos. Desce quando falamos com quem amamos, mesmo quando não queremos que se note.

Inês Castel-Branco diz que a genialidade está na contenção, que os melhores atores são os que dizem pouco. Numa época em que se comunica aos gritos e em maiúsculas, é uma ideia quase subversiva.

No fim perguntei-lhe o que sobra dela depois de tantas personagens. Disse que ainda não sabe responder. Fiquei com a impressão de que essa é a resposta mais honesta que existe.

A conversa completa com Inês Castel-Branco está disponível no Pergunta Simples.

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