Estamos a viver o prólogo de uma revolução que não pede licença. Se a tecnologia sempre foi uma extensão da nossa capacidade, a Inteligência Artificial (IA) apresenta-se como algo distinto: uma infraestrutura que se move a um ritmo incomparável ao da nossa espécie. Em conversa no Pergunta Simples, o psicólogo Miguel Oliveira traçou o diagnóstico de uma sociedade que tenta equilibrar a sua necessidade biológica de previsibilidade com a velocidade estonteante de um novo mundo. Mas, afinal, o que é que este embate está a fazer à nossa arquitetura mental?
A Ansiedade do Chão que Foge
Somos seres de estabilidade. Precisamos de sentido e de controlo para construir o futuro. Contudo, a IA veio baralhar as métricas. Para muitos, o sentimento é de uma “ansiedade desconfortável”, o medo de sermos substituídos por uma máquina que faz “melhor, mais rápido e mais barato”. Miguel Oliveira observa que esta perceção de obsolescência atinge especialmente quem investiu décadas em qualificações que agora parecem vulneráveis. O “chão que nos sai debaixo dos pés” não é apenas uma metáfora; é o sintoma de uma tecnologia que ignora o ritmo da nossa biologia.
O Entorpecimento pelo “AI Slop”
A nossa mente está a ser inundada pelo que já se chama AI Slop: uma avalanche de conteúdos digitais “atamancados”, gerados por algoritmos, que poluem os nossos feeds e dessensibilizam o nosso cérebro. Ao saltarmos de imagem em imagem em busca de uma dose rápida de dopamina, perdemos a capacidade de separar o ruído do sinal. O preço desta gratificação instantânea é a perda da profundidade. Ler um livro denso exige uma resiliência e uma atenção que o mundo digital, movido a 1000 km/h, está a corroer. Estamos a trocar a reflexão pela reação.
Educar para a Pergunta, não para a Resposta
Talvez a mudança mais profunda esteja na forma como ensinamos a pensar. A escola continua presa a métodos de 1640, otimizando alunos para a memorização. Mas num mundo onde a IA tem memória infinita, o valor humano desloca-se. “Somos educados para dar respostas. No mundo da inteligência artificial, temos de ser educados para fazer boas perguntas”, nota Miguel Oliveira. O pensamento crítico e a capacidade de orquestrar a tecnologia tornam-se as ferramentas de sobrevivência. Precisamos de recuperar o espaço para o erro e para a imaginação, os únicos territórios onde a máquina ainda não sabe navegar.
O Resgate do Emocional
No final da linha, o que nos distingue é a nossa “colmeia louca” de emoções. É a nossa capacidade de dar significado a coisas que, para um algoritmo, seriam dados estatísticos. Se a IA nos pode libertar de tarefas monótonas e aborrecidas, cabe-nos a nós garantir que o tempo ganho não seja desperdiçado em mais scrolling, mas investido naquilo que nos torna únicos: a interrelação e a subjetividade. A nossa mente pode estar sob pressão, mas a saída continua a ser a mesma de sempre: a curiosidade.
0:00
O Impacto da Inteligência Artificial na Mente Humana
Nós fomos educados para dar respostas.
No mundo da inteligência artificial, nós temos que ser educados para fazer boas perguntas.
Quanto melhor for a minha pergunta, melhor será a resposta.
Nós não devíamos até ficar muito espantados com isso.
Se nós formos ver todos aquilo que que é o meio científico, todas as histórias que nós temos nos grandes momentos da eureka nunca começaram com uma resposta.
0:20
Caiu uma maçã na cabeça, e agora?
Ora bem, o que é que a pergunta sempre foi aquilo que nos leva a outras perguntas?
0:39
Pessoa 2
Vivemos num tempo em que tudo anda muito depressa, a tecnologia, a informação, as decisões.
Mas a nossa cabeça continua humana, precisa de tempo, precisa de pausa, precisa de sentido.
A inteligência artificial já não é uma coisa do futuro.
0:55
Ela está aqui porque está no telemóvel, está no trabalho, na escola, na forma como escrevemos, pesquisamos ou criamos.
E levanta uma pergunta simples, mas desconfortável, como é que nós estamos a lidar com isto?
Neste episódio de perguntas simples, converso com o Miguel Oliveira, psicólogo.
1:12
Converso sobre a nossa relação com a inteligência artificial, não para falar de código ou de máquinas, mas para perceber o impacto disto tudo na nossa mente, nas nossas emoções e na forma como pensamos.
Falamos de.
Ansiedade, da sensação de perda, de controlo, do medo de ficar para trás e também da excitação porque a mudança assusta, mas também promete.
1:35
A inteligência artificial promete rapidez, eficiência e respostas imediatas.
Mas o cérebro humano não funciona assim, não evolui à velocidade das máquinas.
E é nesse desfasamento.
Que começam os problemas.
Falamos da atenção, da dopamina, do scrolling infinito nas redes sociais, da avalanche de conteúdos, muitos deles feitos por máquinas que nos cansam, nos distraem e tornam mais difícil separar o que importa do que é só ruído.
2:05
E falamos também da escola, do trabalho e da necessidade de reaprender a pensar.
Talvez já não basta saber as respostas.
Talvez seja cada vez mais importante saber fazer boas perguntas.
Este não é um episódio sobre tecnologia ou sobre inteligência artificial.
2:23
É um episódio sobre pessoas, sobre nós, sobre como viver num mundo que acelera sem perder aquilo que nos torna verdadeiramente humanos.
2:35
Como a Mente Humana se Adapta à Velocidade da IA
Viva.
2:36
Pessoa 3
Miguel Oliveira, psicólogo, um dos homens que se tem.
Dedicado a estudar algo que a nos interessa a todos nós cada vez mais, que é essa Fronteira entre a tecnologia e a nossa mente.
Como é que é a nossa mente?
2:51
A nossa maneira de pensar, a nossa maneira de sentir está se a adaptar à velocidade dos tempos, a estas novas tecnologias.
Esta internet super rápida é esta inteligência dita artificial é mesmo inteligente em.
3:06
Pessoa 1
Primeiro lugar obrigado Jorge, pelo convite.
Nós estamos a viver tempos muito desafiantes.
São tempos de mudança, tempos em que nos é difícil antecipar o que aí vem.
Nós gostamos de estabilidade como forma de construirmos e de construção do futuro.
3:27
Tem que haver sempre alguma coisa que nos faça sentido.
E esta?
Tecnologia da inteligência artificial veio aqui baralhar um pouco aquilo que era o ritmo a que nós estávamos habituados.
É uma das características da inteligência artificial é mover se a um, a um ritmo que é incomparável com com aquilo que nós enquanto espécie vivemos.
3:51
E, portanto, sim, e nós temos aqui uma tecnologia que nos vai obrigar a repensar muitas das coisas que nós tínhamos como certas até aqui.
4:02
Pessoa 3
Então, e como é que nós nos sentimos com nós, pessoas que gostamos de coisas previsíveis, de saber como é que é o futuro, de como é que é o amanhã e de agora?
Estamos a lidar com 11 chão que nos sai debaixo dos pés.
4:17
Pessoa 1
Muitas vezes tem a ver com as questões de ansiedade, não é esta este sentimento, na maioria das vezes confortável, sobre nós não conseguimos fazer as tais, as tais previsões.
4:30
Pessoa 3
Ficamos ansiosos.
4:32
Pessoa 1
Há quem fique ansioso, mas há também quem fica excitado, portanto, e quem EE.
Portanto, muitas das vezes nós temos sempre estas 2 faces da moeda, não é?
Obviamente que a mudança traz um sentimento de e agora?
4:47
Mas também para outras pessoas.
Olham para estes momentos como, agora, se calhar eu sou capaz de de construir algo agora.
Se calhar a minha competência, que não era valorizada anteriormente, pode ter um maior valor e, portanto, eu posso aqui ter uma voz diferente.
5:03
E, portanto, as questões da perceção e também da subjetividade industrial de cada um de nós.
Contribuem muito para a forma como nós vemos estes desafios, principalmente este este desafio da da inteligência.
5:18
O Medo da Substituição e a Incerteza Tecnológica
Artificial, então, e alguém que entra no teu consultório e diz, Miguel, eu estou completamente atrapalhado porque agora a máquina faz melhor o meu trabalho do que eu próprio.
Ou pelo menos ameaça fazer o trabalho melhor do que o que eu faço.
Já não sirvo para nada.
5:33
Pessoa 1
Isso é uma forma, e há pessoas que realmente veem, veem, veem a inteligência artificial dessa forma.
5:41
Pessoa 3
São pessimistas ou são realistas?
5:44
Pessoa 1
São sempre realistas, porque têm a ver com uma com a realidade que aquela pessoa vive.
Lá está são as as tais experiências subjetivas.
Nós temos muitas pessoas que tiveram e investiram muito na sua, nas suas qualificações, nas suas competências, ao longo de de várias décadas.
6:03
E ter a perceção muitas vezes errada, mas ter a perceção de que agora chega esta coisa que que me pode substituir e eu andei aqui tanto tempo a investir nisto.
Isto precisa de de algum cuidado?
6:20
Há um conjunto de considerações que se calhar esta tecnologia não tem em em em em consideração.
É um desafio.
6:29
Pessoa 3
Cria nos incerteza, é isso?
6:31
Pessoa 1
Claro, claro que sim.
Cria, nos cria, nos queria, nos incerteza.
6:34
Pessoa 3
E como é que os seres humanos lidam com incerteza?
Nós estamos sempre a ouvir aquela conversa do sai da tua zona de conforto.
Vai, porque o mundo amanhã cantará e eu, quando acesso a conversa na realidade apetece me dar 2 passos para trás e dizer, se calhar esta conversa é demasiado otimista.
6:51
Portanto, sai da tua zona de conforto não é propriamente a coisa que nós mais desejamos ouvir.
6:57
Pessoa 1
Não, não, não.
Lá está a questão da nós estamos a ter as coisas mais ou menos controladas.
A questão, a noção de controlo é muito importante por nós termos algum controlo não é quer controlo financeiro, emocional, das relações, portanto, é sempre, é sempre muito, muito importante.
7:14
Mas aquilo que muitas vezes acontece é nós sugerirmos que possamos aqui.
Ir ver o que é que se passa fora da nossa bolha não é sair da nossa, da nossa zona de conforto, muitas das vezes traz perspectivas diferentes.
Ajuda nos a perceber que muitas das vezes um conjunto de competências que se calhar nós até tínhamos até mais desenvolvidas que se calhar a média, mas outras que nós não tínhamos a forma como nós depois lidamos com esta nova, isto resolver.
7:47
Eu tenho esta minha perceção, entretanto saio da minha zona de conforto.
Vejo novas realidades, como é que me como é que me posiciono depois lá está mais uma vez.
É muito subjetivo as pessoas que gostam da segurança e, portanto, voltam para dentro da bolha.
E há outras que que veem como um como um desafio, mas existem coisas interessantes também, outras outras perspectivas que são aquelas das pessoas que olham para para, para esta, para esta, para estas situações como uma forma de de ganharem maior autonomia, de ganharem de competências diferentes, de poderem ser diferentes, de de não poderem.
8:21
Ser os mesmos, sempre os mesmos, não é OEEE?
Isso também é.
É importante EEEA questão aqui não tem tanto a ver com a com a inteligência artificial, mas sim, como é que nós, enquanto seres humanos, com todas as nossas potencialidades e os nossos medos, e com todas as nossas fragilidades, nos vamos adequar a.
8:46
E por isso é para uns vai ser.
Se calhar, vão ter uma perspetiva muito positiva, quase utópica.
Outros vão ter uma perspetiva muito negativa e os chamados doomers que isto vai ser o fim do mundo, vai acabar com a civilização.
9:03
Mas nada de novo.
Atenção, nada de novo em relação às às anteriores.
Revoluções tecnológicas e tecnologias que que tivemos o.
9:12
Pessoa 3
Pequeno problema é que agora estamos nós no meio dela, não é?
Quer dizer, habitualmente nós beneficiamos das coisas que foram inventadas lá atrás.
A roda e o fogo são as coisas que, se calhar, me ocorrem imediatamente.
Mas eu agora benefício da roda e do fogo com tranquilidade.
9:28
Todavia, esta eu estou a vivê la.
Todos os dias e, portanto, podem vir coisas maravilhosas ou podem vir aqui uns braços e umas pernas partidas.
Depende de que lado é que eu estiver, da revolução tecnológica.
9:39
Conteúdo de Baixa Qualidade e a Poluição Digital da Mente
Sim, EEE.
Ambas a ambas as realidades irão, irão acontecer, ou seja, no decorrer disto não vai haver.
Não existe uma situação ou ou ou um ou um futuro em que seja com zero riscos, não existe.
9:56
Pessoa 3
Não é inócuo?
9:57
Pessoa 1
Não, não, não.
Claro que não.
E nós vamos ter grandes benefícios e também vamos ter aqui alguns problemas.
Faz parte.
O Jorge disse uma coisa que é interessante e que é, nós estamos no prólogo, estamos no início desta revolução, por isso é que nós não sabemos para onde é que isto, para onde é que isto vai.
10:14
Pessoa 3
No fundo, eu sinto me como o surfista na onda da Nazaré.
Dizem me que aquilo tem 30 m e eu digo me, mas isto aqui ainda só tem 2 m.
Eu já estou assustado.
10:22
Pessoa 1
Pois é um navegar neste neste mapa que é que é novo, em que nós temos poucos, poucos pontos de referência.
10:32
Pessoa 3
E não temos, controlo, definitivamente não.
10:34
Pessoa 1
Temos controlo ou isso?
Não temos controlo, mas também nós já não tínhamos assim tanto controlo antes.
Há há aqui um conjunto de falsas.
Muitas vezes é que só porque estamos habituados não é.
10:43
Pessoa 3
Quer dizer que nos enganamos a nós próprios com O Mecanismo de sobrevivência?
10:47
Pessoa 1
Claro que sim.
Vejamos uma tecnologia com que nós estamos todos muito pacíficos e é das mais mortíferas que temos que a tecnologia tomava.
Há dados que dizem que morrem por ano entre 500 a 1000000 de pessoas no mundo inteiro por devido aos acidentes de aviação.
11:02
Uma verdadeira tragédia que nós, pelos vistos, estamos, enquanto sociedade, perfeitamente em paz com isso.
Como é que uma tecnologia pode trazer tantos mortos?
Não estou a falar disso.
E temos de levar de pessoas que morrem se nós fizéssemos.
11:19
Aqui se voltássemos atrás no tempo e em 1009, 1890, 1870 quando estávamos AA desenvolver esta nova tecnologia do motor e disséssemos assim, atenção que nos próximos 100 anos aproximadamente 100 milhares de pessoas vão morrer por causa desta tecnologia.
11:39
Pessoa 3
Proibíamos isto.
11:40
Pessoa 1
Obviamente, na hora, obviamente, isso.
Isso é isso, é claro.
Não é?
A questão que eu faço é porque é que nós não proibimos?
11:48
Pessoa 3
É uma boa pergunta?
11:49
Pessoa 1
Porque nós conseguimos fazer muito bem.
Conseguimos.
Lá está.
Nós conseguimos simular e imaginar um cenário em que não haja carros.
E No No cenário onde não haja qualquer tipo de carro, também não existem as ambulâncias para nos fazerem chegar a uma a uma urgência mais rápido.
12:07
Não existem os medicamentos que nos permitam chegar de uma ponta do país à outra.
Eu não estaria aqui hoje.
Eu não conseguiria ir trabalhar porque trabalho a 40 km.
12:18
Pessoa 3
Portanto, antecipamos um.
Benefício EE aceitamos correr um risco no fundo, de uma forma quase despersonalizada.
Acontece, mas está lá fora.
Não tem nada a ver comigo.
Ou ou tem muito pouco a ver comigo ou não tem consciência disso.
Mas é um conjunto de benefícios que eu vou ter já agora e depressa.
12:34
Pessoa 1
E os benefícios?
A questão dos straedovs, os benefícios ultrapassam largamente aquilo que são os o, os riscos que quando nós falamos.
Dos carros que nós já não vemos?
Os carros.
Os carros são uma peça de tecnologia absolutamente maravilhosa.
12:53
Se nós pararmos para pensar, são e perdoem.
A falta de de outro termo, mas acho que melhor é mesmo este.
São coisas que andam sozinhas, que nos conseguem fazer transportar.
Análise e mais 4 5 pessoas de uma forma bastante eficiente durante 300 400 km e.
13:12
Pessoa 3
Portanto, dão nos uma Liberdade.
13:14
Pessoa 1
E vamos acima de tudo, é isso que um automóvel nos dá.
E é isso.
13:18
Pessoa 3
Que faz com que as pessoas tolerem depois de tudo o resto, o que o automóvel pode causar?
Poluição, acidentes, o que for.
Olha, estamos no advento da inteligência.
Oficial nessa aceleração dos dos tempos.
E quando nós falamos para para esta conversa, hoje em dia qualquer um de nós pode usar uma ferramenta de inteligência artificial para simular um mundo para criar coisas que não existem na realidade.
13:43
Estou a pensar todos.
Se calhar, já vimos as imagens das crianças com os cães todos felizes a fazer coisas extraordinárias que são imagens criadas por inteligência artificial e um conceito novo que se chama de.
AI slop o que raio é o?
14:00
AI, slop slop enquanto ladeira, enquanto buraco, enquanto o que é que é isto da inteligência artificial slop?
14:09
Pessoa 1
Aqui, a questão da slop, as palavras em inglês parecem ficam sempre muito, muito melhor em português.
14:15
Pessoa 3
Vamos à procura de uma?
14:16
Pessoa 1
De uma que é que é conteúdo com menor qualidade.
Assim, aquele tipo de conteúdo que é para a geração, para as gerações mais mais jovens, eles sabem o que é que isto quer dizer, é um conteúdo.
Não é que não é muito bom, não é.
14:33
E é.
14:34
Pessoa 3
É um conteúdo?
A tamancado pode ser.
14:36
Pessoa 1
Tamancado, exatamente.
Pronto, exatamente.
É um conteúdo, um conjunto de de conteúdos, a tamancados em que nós nos vemos no mundo digital, inundados por um conjunto de, neste caso, são as imagens, que é o que são o último grito.
14:54
Mas já foi o texto.
Atenção, já foi o texto, já foi, também, já é música.
Nós temos a música aqui a ser gerada e.
A quantidade de de conteúdo que é feita é tamanha que o nosso cérebro dessensibiliza OKE.
15:13
Então é difícil de nós separarmos aquilo que é o ruído do sinal.
Ou seja, o que é que é bom, não é?
São tantas imagens de cãezinhos de gatinhos, de pessoas com o seu ator ou atriz preferida, a fazer XA estar no sítio, a estar na lua, a estar em Marte, que.
15:31
Ao fim de algum tempo, nós começamos aqui a sentir nos que só vemos estes conteúdos atamancados e que conteúdos de qualidade, com mais alguma profundidade, acabam por por faltar.
15:46
E ficamos assim, um pouquinho meio adormecido, é um bocado, quase como poluição.
15:50
Pessoa 3
Mas a nossa mente consegue perceber quando nós temos um feed, quando estamos lá no nosso Instagram ou no nosso Facebook, ou no outro lado qualquer.
AA saltar de conteúdo para conteúdo, quando temos vários conteúdos sucessivos, essa poluição visual, essa capacidade que nós temos ou não temos de entender o que é que é o verdadeiro e o que é que é o falso.
16:12
A Luta da Atenção Humana Contra a Aceleração Tecnológica
O que é que está a fazer à nossa cabeça?
16:15
Pessoa 1
Isso é uma.
Isso é uma excelente pergunta, que eu acho que só nós.
Nós só dentro de 1020 anos é que teremos uma resposta concreta para isso.
Há uma coisa que nós conseguimos saber hoje é que trará consequências.
16:31
OK, isso.
16:32
Pessoa 3
Isso para ti, é claro.
16:33
Pessoa 1
Para mim, é claro que terá, terá consequência.
Agora, eu não consigo antecipar quais são.
Uma daquelas que nós conseguimos antecipar é lá está.
Nós gostamos de previsibilidade.
Como é que nós conseguimos descodificar o mundo quando aquilo que nos chega do mundo pode não ser verdadeiro, não é?
16:53
Pessoa 3
E às vezes nós conseguimos perceber que aquela imagem é falsa, mas com a aceleração da tecnologia e das ferramentas de criação virtual de vídeo, nomeadamente.
Já começa a ser difícil perceber se é verdadeiro ou não, mas há sempre uma espécie de um grilinho aqui dentro de nós, que nós dizemos assim, mas.
17:13
Mas isto não faz sentido, então, mas 4 cãezinhos tão bonitinhos e as crianças com um discurso tão afinado, quer dizer, o Nosso Sentimento humano percebe que aquilo não não é verdadeiro.
17:26
Pessoa 1
Se nós tirarmos o tempo para fazermos esse processo que que tu já agora acabaste de fazer, sim.
Mas o que é que acontece é que nós, quando estamos com estas coisas, estamos constantemente esse.
Esse período de reflexão não existe quando estamos num feed e, portanto, primeiro porque o tempo é pequeno para para pensar.
17:44
Nós estamos à espera da dopamina para ver qual é o próximo conteúdo.
Se o próximo conteúdo realmente vai nos vai prender AA atenção ou não.
17:52
Pessoa 3
Para que é que nos serve a dopamina?
17:53
Pessoa 1
Só para mim nos sabe, deve nos para, para nos fazer sentir prazer e, portanto, para normalmente.
É algo que está associado a quando nós temos prazer, quando há um acontecimento sem prazer, há esta secreção e então nós ficamos aqui mais felizes, então continuamos à procura dessa Felicidade, não é?
18:13
E normalmente se tem um conjunto de comportamento, neste caso de comportamento, é o fazer o tal scrolling, portanto, continuamos.
Manter o comportamento ou a dobrar do comportamento.
18:23
Pessoa 3
Em busca sempre da nossa pequena dose de dopamina para ficarmos felizes para.
18:27
Pessoa 1
Ficarmos para ficarmos felizes?
18:28
Pessoa 3
Ah, então cada vez temos que andar mais depressa, cada vez temos que ver mais conteúdos, mais imagens em busca desse Santo Graal.
18:35
Pessoa 1
Que se nós olharmos para o tempo que eu já não vou, sequer vou falar, porque nós muitas das vezes, nós, a nossa geração, acho que é um pouco injusta com gerações mais novas, porque se todo mal, eles é que passam muito tempo no telemóvel.
Eles é que estão eles, eles, nós não, nós não.
18:53
Eu.
Eu gostava de centrar isso Na Na nossa geração, alguém que nasceu em 1975.
Portanto, nós passamos uma quantidade de tempo enorme Na Na, na, nas redes, a fazer scrolling, a olhar para monitores.
19:09
Pessoa 3
Portanto, não são os miúdos.
19:10
Pessoa 1
Não são os miúdos.
Já nem vou.
Sequer vou falar dos miúdos.
Vou falar daqueles que neste momento têm.
À partida, mais agência e mais tão enquanto geração, encargos que podem produzir mudança, que somos nós.
19:22
Pessoa 3
Portanto, nós, os analógicos, afinal, estamos aqui a falar de barriga cheia, a dizer que os miúdos estão a portar mal, quando nós verdadeiramente estamos a fazer a mesma coisa.
19:30
Pessoa 1
Ah, claro que sim.
Eu diria que na generalidade.
Agora fazer aqui uma generalização.
Se nós formos fazer uma comparação e se tivéssemos aqui métricas, nós estamos a ler cada vez menos livros.
Não quer dizer que nós não não consigamos chegar a um conjunto de de de conteúdos e passamos muito mais tempo nestas nestas plataformas e, portanto, também assim, isto também é um indicador de que nós realmente temos cada vez mais tempo para pensar.
19:57
Porquê?
Porque reparem.
Imaginem se que agora a tarefa do próximo verão não é vamos ler os mais, OK?
20:09
Pessoa 3
Também escolhes logo, bem, logo ali, 11 tijolo de Bela literatura, mas difícil e com muito pouca dopamina por por palavra, por cada página, não é?
20:20
Pessoa 1
Exato, mas.
Mas, ou seja, ler um livro que é uma que é que foi algo que que.
Que nos foi que nós somos educados para perceber como o Santo Graal.
A transmissão de conhecimento é uma coisa que no mundo de hoje é é difícil de comportar.
20:39
Para ler, eu preciso de tudo aquilo que tu estavas a dizer, já estar presente, de estar acolá, de a toda a minha atenção.
Tem que estar direcionada para o que estou a ler, ler.
20:49
Pessoa 3
Ter vontade de ter resiliência.
Aguentar que a altura do texto nos dá menos prazer, porque nós sabemos que vai haver outra mais tarde, que nos vai dar prazer.
Saber que nós conseguimos entender o que é que lá está escrito, dá trabalho.
21:04
Pessoa 1
Dá trabalho e exige a nível da atenção, dos mecanismos, da atenção.
Nós não conseguimos fazer 2 coisas, não existe.
Nós estamos a ler EE, estamos a fazer outra coisa.
É impossível.
É das poucas coisas, não é?
E, portanto, num mundo que se move. 1000 km por hora, com várias mãos, comportado, com várias mãos.
21:23
Pessoa 3
Com vários ecrãs.
21:24
Pessoa 1
Sim, nós corremos o risco de começarmos a ler os mais e quando acabar terem sido lançados 3 modelos novos de destes LL MS novos, não é?
Então nós corremos aqui com com esta disparidade de velocidade daquilo que é.
21:44
Nós, enquanto seres humanos, nós enquanto espécie, que funcionamos desta forma linear.
Nós conseguimos perceber muito bem o 1210100.
Conseguimos, mas quando começamos a passar para escalas muito maiores e muito mais curtas a nível de tempo, é menos difícil.
22:02
Não é 1000000.
Como é que eu consigo distinguir 1000000 se me puseres aqui 1000000 de maçãs?
E me retirar 100 eu não vou perceber.
22:14
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22:37
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22:44
A Inteligência Artificial Como Base do Nosso Novo Mundo
Então, como é que nós nos adaptamos?
Nós analógicos, nós lentos, nós pobres e falíveis seres humanos a quem foi dada uma ferramenta tão poderosa como a inteligência artificial?
O que é que nós fazemos à nossa vida?
22:58
Pessoa 1
Eu acho que o que nós temos que fazer é um conjunto de perguntas.
A primeira é esta, a inteligência artificial de uma moda.
E eu acho que as pessoas, 95% das pessoas, percebeu que a inteligência artificial não é uma moda.
23:10
Pessoa 3
E é uma coisa estrutural que vem aqui para mudar o nosso.
23:13
Pessoa 1
Mundo exatamente é mesmo isso?
A inteligência artificial será a nova infraestrutura e, portanto, se nós se o nosso substrato agora vai ser este, nós podemos viver sempre em negação.
Nós temos que o experimentar.
E voltando aqui um bocadinho atrás daquela questão do a high slop.
23:33
Eu vejo uma parte positiva e um sinal positivo na nessa quantidade de de conteúdos atacanhados, como nós nós chamamos.
23:47
Pessoa 3
Portanto, a criação de conteúdos que são, no fundo, mais grosseiros.
Tu vês alguma coisa positiva?
23:54
Pessoa 1
Isto vejo que é sinal que as pessoas estão a experimentar.
O problema aqui não é a questão.
Das pessoas estarem AA experimentar, mas sim que tudo é publicável, que é uma coisa diferente, vamos fazer aqui.
24:05
Pessoa 3
Falta uma curadoria, portanto, no fundo é, experimentem lá essas coisas, mas não publicam a porcaria.
24:10
Pessoa 1
Toda.
Exatamente.
Imaginem o que é que é nós, quando estamos no primeiro ano, a primeira classe a experimentar a fazer OA não é a letra, é a começarmos a buscar todos os nossos ados.
O primeiro AO segundo a portanto, era.
24:27
Mas foi importante esse processo.
Portanto, o processo nós estamos ali a tentar.
24:32
Pessoa 3
É uma, é um, é um processo de tentativa e erro.
24:33
Pessoa 1
Exato, e que vamos melhorando.
Nós, nós seres humanos funcionaram funcionamos muito pela pela questão da a repetição ajuda nos ajuda nos a maturar EEE na aquisição da das diferentes competências e por isso OA highslop aqui também é 111 forma de nós percebermos que isto está a ser adotado, mas também também temos que ser justos para com as pessoas que é alguém lhes ensinou.
24:59
A fazer isto, as pessoas estão a tentar por tentativa e erro.
Aliás, depois nós, muitas das vezes ainda temos esta pequena maldade de dizer que tu estás a fazer mal, mas como é que estás a fazer mal, se nunca te ensinamos?
Ou seja, damos principalmente aos jovens esta tecnologia que é muito avançada, não a ensinamos a usar, não lhe damos qualquer tipo de regras e depois nós estamos aqui para dizer que que estão a usar mal.
25:26
Isto também é um sinal e portanto, nesses.
Correto?
Eu vejo esta questão do IA slop como algo positivo.
O que é que qual é a minha expetativa é que no decorrer destas gerações todas que as pessoas possam fazer melhores, melhores publicações, melhores imagens e que EE que com a prática possam produzir melhores coisas e portanto, vejo isso.
25:50
Pessoa 3
Essa criação de mais valor, das coisas ficarem cada vez mais perfeitas está, no entanto.
É criar uma perceção sobre o valor das coisas que é eu antigamente devia que se alguém filmava um cão, que aquilo era um cão e não havia dúvida nenhuma.
26:06
E hoje, quando vejo um cão nas minhas redes sociais, duvido que seja um cão.
Ou então não duvido e aceito aquele cão como sendo verdadeiro quando ele não existe e portanto, a nossa perceção já não é só sobre uma realidade tangível que nós imaginamos, mas é sobre tudo aquilo que foi imageticamente, criado e desenhado.
26:26
Bom, estamos a dizer também, não é?
Dir me ás tu?
26:29
Pessoa 1
Sim, isto é um novo meio de nós nos conseguirmos expressar, de nós conseguirmos, de conseguirmos trabalhar.
Já se começa, já começa a entrar no e de podemos comunicar, de nos podermos articular, porque há aqui um conjunto.
26:49
Nós, seres humanos, temos 11 problema.
Muito grande, que é um problema de articulação mesmo.
Numa era de a globalização, nós temos dificuldades em nos articular para as coisas que realmente que nós conseguimos fazer.
Por exemplo, um exemplo um, nós hoje tínhamos nós enquanto espécie, não enquanto ocidente, Oriente ou esquerda ou direita, não enquanto espécie.
27:14
Nós enquanto espécie temos a capacidade de acabar com a fome no mundo.
E a principal razão é uma questão de nós não nos conseguirmos articular bem uns com os outros.
27:23
Pessoa 3
Não é uma falta de vontade, não é uma falta de possibilidade.
27:26
Pessoa 1
Não é uma falta de possibilidade, seria mais uma falta de vontade, muitas das vezes gerada por esta falta de articulação.
27:31
Pessoa 3
Portanto, nós não nos organizamos, é isto.
27:33
Pessoa 1
Podemos organizar melhor, somos muito melhor organizados.
27:35
Pessoa 3
Somos uma espécie de colmeia louca.
27:37
Pessoa 1
Ainda não completamente otimizada.
Pelo menos não é.
Estamos nós, não.
Não gosto de ver isto num num pôr de teseiros e uns estamos muito melhores que estávamos há há há 100 anos atrás.
27:50
Pessoa 3
Então, então, o que é que nos o que é que nos atrapalha?
O que é que o que é que faz com que resolver um problema que em princípio todos nós acreditamos que devia ser resolvido?
O que é que nos o que é que nos está a tornar tão ineficientes ou tão pouco eficientes para resolver esses problemas enquanto comunidade?
28:06
Quer dizer, tu estás a falar da fome do mundo e eu estou a pensar em.
Em Portugal, no número de pobres que existe em Portugal, num país que é rico, quer dizer, vamos lá ser claros, temos o mesmo problema.
28:14
Pessoa 1
Sim, sim, temos o mesmo problema.
Muitas das vezes isto são são problemas que que como sabem, são complexos e têm diversos fatores, mas.
28:26
Alinhar Incentivos para Manter a Relevância Humana
Uma das formas que nós podemos olhar para para qualquer tipo de problema é olharmos para as questões dos incentivos, OKO, que é que está na base, o que é que é incentivo, o que é que não é?
28:34
Pessoa 3
Incentivo isso é uma conversa de economista, não é?
Os economistas é que estão.
28:36
Pessoa 1
Sempre a dizer a conversa de, de, de até de até de engenheiro, apesar assim.
28:41
Pessoa 3
É uma, é uma, é a cenourinha, é a cenourinha que nós andamos, andamos à procura, é aquilo que nos empurra.
28:48
Pessoa 1
Não o que tu está antes?
Não é Oo que é que nós nos pode incentivamos de início da parte, quando nós começamos a desenhar e a procurar as as soluções e muitas vezes os incentivos estão desalinhados.
Aliás, uma das grandes questões relacionadas com a inteligência artificial e de que forma é que nós vamos alinhar esta inteligência.
29:08
Porque se é inteligência, vai ter também alguma agência que também começa a ter.
29:12
Pessoa 3
Não.
Eu tenho uma pergunta que é, quem é que manda nisto?
É a primeira das perguntas que eu tenho.
29:17
Pessoa 1
Quem quem manda nisto até ainda ainda são, ainda são os humanos.
29:21
Pessoa 3
Ainda são os humanos?
29:23
Pessoa 1
Ainda são os humanos?
29:23
Pessoa 3
Temos que isso possa possa um dia deixar de acontecer.
29:27
Pessoa 1
Depende dos incentivos.
Lá está, por exemplo, eu acho difícil se nós continuarmos com um conjunto de incentivos que só passam e que só são valorizados, que são incentivos de eficiência, da eficácia, da redução do custo e da redução do tempo.
29:44
Que nós comecemos a ter grandes dificuldades em controlar.
29:47
Pessoa 3
Tudo essa é uma conversa para as máquinas.
Não é mais eficiente, mais rápido, mais produtivo, é uma.
29:52
Pessoa 1
Coisa também.
29:53
Pessoa 3
Sim, o senhor Taylor inventou isso há não sei quantos anos para fazer.
Lá está os carros muito mais depressa.
Então, que incentivos é que nós temos que pôr em cima da mesa?
30:00
Pessoa 1
Nós, nós tínhamos por acaso.
Eu acho que é uma se nós queremos que a agência humana, ou seja, que os humanos continuem a ser relevantes e estarem ao volante.
Nós precisamos de que aquilo que sejam os nossos inputs, os inputs valorizados, que não sejam aqueles em que quando nós comparados com as máquinas perdemos sempre é o equivalente.
30:21
Agora nós decidirmos que eu vou começar AA ter 11, dieta muito boa, vou começar a treinar porque eu não não admito que um carro ando mais depressa do que eu e portanto, vou começar a competir com um carro.
Perdemos sempre, pois perdemos sempre e portanto aqui AAAA alternativa foi, de que forma é que eu posso pôr no controlo do carro e poder?
30:44
Direcionar e de encontro com os meus objetivos, o que tu?
30:47
Pessoa 3
Me estás a dizer é que é preciso fazer uma valorização daquilo que é o ser humano e daquilo que é a capacidade daquilo que só os humanos podem fazer.
Neste, não digo confronto, mas nesta conjugação com a máquina.
30:59
Pessoa 1
Nós precisamos de arranjar.
Eu acho que nós precisamos.
Enquanto sociedade, não há algo que seja consensualizado com diversos atores, com diversas sensibilidades, mas nós devíamos de ter.
Uma métrica diferente, que fosse igualmente valorizada, porque senão começa a ser difícil, repara se aquilo que é esperado de de mim é que eu faça mais, melhor, mais rápido e mais barato sempre.
31:29
Se não há, como é que eu consigo competir com uma tecnologia que por defeito é isso e que se move, não é?
Se me perguntares.
Mas então qual é que é essa?
Eu não sei bem se nós precisamos de nos encontrar uma.
31:43
Pessoa 3
Então, mas isso para para mim, enquanto ser humano, enquanto, enfim, psicologia, um cérebro dentro da de uma maneira de sentir eu, eu estou me a sentir profundamente inútil se se a conversa for essa.
31:55
Pessoa 1
Se a questão aqui não é da nossa inutilidade, é quando nós arranjamos uma tecnologia que está aqui para combater todas.
Uma quase como se.
Para aumentar só a questão da produtividade, não é?
32:09
Pessoa 3
E faltam outras coisas.
32:10
Pessoa 1
Faltam outras coisas.
Faltam muitas das vezes a questão da de que as interações possam ser mais ricas, muitas das vezes, em determinado tipo de serviços se queixa de que, olhe, foi tratado como uma máquina, não é?
32:26
E se calhar, AA valorização desse tipo de input que é só humano, não é?
O que é que nós humanos temos que realmente nos distingue das máquinas?
E de que forma é que nós?
O incentivamos.
32:36
Pessoa 3
O que é que nós temos?
Como?
Como com o que é que?
O que é que nós temos de extraordinário?
Tu, o que é tão psicólogo, podes ajudar nos aqui.
32:42
Emoções, Enviesamentos e a Linguagem Natural da Inteligência Artificial
Nós.
O que nós temos de extraordinário é um conjunto de enviesamentos e, por exemplo, um dos enviesamentos que nós temos, EEE, que é engraçado dizer é que nós achamos muito mais piada haver humanos a fazer coisas do que outros.
Deixa me dar te um exemplo.
32:59
Nós, no final dos anos 80, início dos anos 90, percebemos automaticamente que o xadrez era algo que era que que que que era considerado aquela grande capacidade e que nos distinguem como como humanos, que nem sequer era inteligência artificial.
33:17
O machine learning resolveu esse problema.
A minha questão foi, mas então pelo facto de haver simuladores e computadores que jogam melhor?
33:28
Pessoa 3
Matamos o xadrez.
33:29
Pessoa 1
Não, muito pelo contrário.
Nós gostamos de ver os humanos a competir e, portanto, isto é uma característica muito, muito nossa, não é eu.
Todas as coisas que são mais invisíveis, tipo de trabalho mais monótono, obviamente nós até queremos ou ou ou mais perigoso também.
É um conjunto de trabalho perigoso e de pessoas que que são expostas a um perigo muito grande e que eu acho que a inteligência artificial pode vir aqui ajudar, EAE, fazer esse tipo de trabalho ou aquele trabalho monótono.
33:51
Ninguém, digo eu, gosta de gostava agora de os contabilistas antes de haver calculadoras.
Quando tinham que andar a fazer com os somatórios todos, todos à mão, mas o.
34:01
Pessoa 3
Máquino deveram a resolver esse problema, o problema do aborrecimento, da da tarefa e libertar nos porque para pensar e para imaginar outras coisas.
34:08
Pessoa 1
Exatamente outros conceitos mais abstratos que nós, que nós podemos.
Eu acho que isto também vai acontecer com a inteligência artificial que é, ela vai ocupar uma parte, mas vai nos libertar para outra.
Agora nós precisamos e aqui muito importante é de perceber que tipo de competências é que nós temos e face esta nova infraestrutura.
34:27
Se as competências que nós temos continuam a ser válidas ou se precisamos que de rearranjar ou adquirir outro?
34:35
Pessoa 3
Reinventar outras características para nos relacionarmos com a máquina e aproveitamos a potência da máquina com aquilo que só os seres humanos têm.
34:44
Pessoa 2
Também.
34:44
Pessoa 3
Eu estavas a falar.
Há bocadinho de de enviesamentos.
O enviesamento não era suposto ser uma coisa negativa nós a pôr.
34:51
Pessoa 1
Nós não conseguimos.
Não existem?
Não, não existem envisamentos.
Por exemplo, um dos maiores enviesamentos e que nós mais gostamos são os direitos humanos.
Os direitos humanos são o envisamento.
35:00
Pessoa 3
Positivo neste caso.
35:01
Pessoa 1
Aqui nós para, para nós, para a nossa cultura, há há outras culturas que que que não vêm assim, não é?
Por exemplo, na se calhar, onde onde nós temos aqui?
O caso mais gráfico disso é no futebol.
O meu clube AA mesma jogada, tem a colar 1° de enviesamento muito, muito grande.
35:22
Nós temos sempre um conjunto de o.
35:23
Pessoa 3
Penáltico fui eu que não foi.
35:24
Pessoa 1
O penáltico foi o que não foi, então?
35:26
Pessoa 3
E como é que nós sermos inteligentes e que à partida gostamos de um terminal de jogo?
Achamos que um penalty pode ser uma coisa para nós ou não, se for a nossa equipa ou outra equipa.
35:33
Pessoa 1
Aqui tem uma coisa interessante que tem que tem alguma algo a ver com a forma como AA inteligência artificial é arquitetada.
A diferença aqui está naquilo que e agora fazendo aqui algum paralelismo.
Esta para começar e uma coisa que eu gostava de ter dito dito no início, EEE, mas mas eu acho que é o que é o nós falar em agora.
35:53
Não existe inteligência artificial no sentido de que uma existem muitas OKE, existem várias formas.
36:01
Pessoa 3
Isso é uma forma positiva, isso é uma coisa que me enche de otimismo ou de preocupação.
36:07
Pessoa 1
A questão é que estes modelos de linguagem, ou seja, pré.
Depois de 2022, ali, com o aparecimento do ChatGPT, nós tínhamos inteligência artificial a partir dos anos 50, mas o ChatGPT trouxe aqui 11 forma de interação com a inteligência artificial que democratizou de uma forma radical, porquê até então só alguém com 111 licenciatura em em programação é que conseguia falar com a máquina.
36:39
Pessoa 3
Era conversa de engenheiros.
36:41
Pessoa 1
EE com não era só conversas de engenheiros, é que para ser para mesmo nesta conversa de engenheiros, era necessário que tivessem dominassem uma língua que era a língua da programação, que pouca gente dominava.
36:52
Pessoa 3
Tínhamos que falar a linguagem da máquina para entender o que é que a máquina podia fazer exatamente, e subitamente a máquina começou a falar português.
37:00
Pessoa 1
Subitamente, AA linguagem natural, ou seja, o falar normalmente começou a ser uma forma que que não os puderam atender.
Como tudo que é massificado, isso trouxe coisas muito boas e coisas muito más.
37:18
Reparemos, por exemplo, mais uma vez Na Na numa tecnologia mais antiga da escrita, não é?
Nós temos coisas.
A partir do momento que a escrita se democratizou, nós tivemos obras de arte que inspiraram e que continua a inspirar um conjunto de pessoas.
37:34
E temos post.
É a mesma tecnologia democratizou, se não é.
Mas, mas ainda e?
37:41
Pessoa 3
Tu estás a pôr no um plano o mais Belo poema do mundo, com o post descrito em 30 segundos pela pessoa quase mais analfalpeta do mundo, não?
37:49
Pessoa 1
Estou a dizer que é a mesma tecnologia usada de forma diferente.
37:52
Pessoa 3
EE, as inteligências artificiais vêm nos traduzir também isso, que é a capacidade de fazer coisas absolutamente mágicas ou fazer coisas muito fracas.
38:00
Pessoa 1
Obviamente, nós se se a minha.
Se a minha interação com o meu pedido, a minha interação com a inteligência artificial for, por exemplo, para tem um aluno que tem maiores dificuldades, é um aluno que imaginar, gosta muito do do Cristiano Ronaldo, eu posso pegar na inteligência artificial para ele mobilizar a matéria que ele vai ter que falar com exemplos, por exemplo, de Cristiano Ronaldo para ser algo que ele consiga entender melhor.
38:28
E, portanto, eu queria utilizar a inteligência artificial para algo positivo, OK?
Para se ter uma interação de não quero aqui dar ideias, mas conseguimos perceber que podemos pedir a inteligência artificial para nos dar inputs negativos.
Portanto, a questão não está.
38:44
Obviamente que está sempre na tecnologia, mas é são a forma como nós a vamos mobilizar.
38:49
Pessoa 3
Tu falaste agora na escola?
E isso interessa me, que é?
38:53
O Desafio da Escola na Era da Inteligência Artificial
A inteligência artificial anda cada vez mais rápida, com vários modelos, com várias propostas.
E a escola parece continuar em 1640, com os métodos antigos ensinando coisas antigas.
Não parece que estejamos a preparar as novas gerações para este novo advento.
39:09
O que é que a gente faz à nossa vida?
39:16
Pessoa 1
É isso, é isso?
39:17
Pessoa 3
O que acontece é que as novas gerações, como é evidente, estão se a preparar elas.
39:21
Pessoa 1
Próprias, exatamente.
39:22
Pessoa 3
Por tentativa e erro, como tu estás a dizer, apesar de levarem com a escola com as matérias de 1640.
39:29
Pessoa 1
A questão até nem é eu, eu nem a questão das matérias até nem é para mim.
Pelo menos a questão do do ponto crítico tem a ver com.
Quais são as metodologias pedagógicas que são e os incentivos que são postos para a para a questão da educação?
39:44
Pessoa 3
E eu ponho a pergunta, estamos a ensinar as nossas crianças a pensar?
39:47
Pessoa 1
Não de todo, não de todo.
39:50
Pessoa 3
Porque esse é o Ponto Certo?
39:52
Pessoa 1
Vamos, vamos, vamos ver isto por incentivos.
Se nós perguntarmos a qualquer aluno qual é que é o maior incentivo é tirar positivo no texto.
Não é aprender, não há, são.
São raros os alunos.
Que que nos dizem eu vou para a escola ou aprender nada e nós e nós comprimimos para isso?
40:11
Pessoa 3
Essa FAR se daquilo no fundo, essa FAR se.
40:13
Pessoa 1
Daquilo, e se houver?
40:15
Pessoa 3
É sobreviver, no fundo, é isto.
40:16
Pessoa 1
Exatamente.
É fazer, vamos fazer, vamos passar.
40:20
Pessoa 3
Não interessa porquê, nem para quê, nem qual é a utilidade disto, nem porque é que eu sou mais inteligente ou menos inteligente.
40:27
Pessoa 1
Não e repare.
E a culpa não é deles, OK?
Porque nós?
O que?
O que nós, o que nós, adultos, perguntamos não é?
O que é que aprendeste hoje o que?
40:37
Pessoa 3
É que o que é que é fascinante?
40:39
Pessoa 1
É passaste ao teste, não foi?
O que é que aprendeste, não é?
E se nós virmos OOO os os incentivos dos alunos são incentivados para terem sucesso a responder a perguntas em testes.
OKE, nós dizemos assim, OK, isto podia ser um proxy e uma forma de nós podemos aprender, mas nós vemos que não é bem assim, porque eu faço este desafio.
41:00
Nós estamos em janeiro de 2026.
É perguntar à à maior parte dos alunos se se lembra, por exemplo, do que é que deu em história no segundo período.
41:09
Pessoa 3
Tenho a certeza que há 2.
41:10
Pessoa 1
Anos e há 3 anos.
E a questão da daqui do problema é que nós continuamos num mundo em que nós percebemos que a inteligência artificial vai ter mais capacidade de memória do que nós, que vai articular, que vai escrever melhor do que nós.
Nós continuamos a otimizar para que os alunos vão ler, estudar.
41:31
Que memorizem muito bem aquilo e depois cheguem um dia que nos tragam aquilo aquilo sabido.
Eu com isto eu gostava de deixar isto muito claro.
Eu não sou a favor de que agora fora com o velho entra o novo não, mas que nós precisamos começar AA, introduzir metodologias diferentes.
41:47
Nós não podemos continuar a ter o mesmo quadro e as pessoas a estarem alunos, estarem 6 horas em com metodologias.
Maioritariamente expositivas.
Temos outras formas e, portanto, até nem há tanto as as matérias, porque os alunos, quando as matérias são, são interessantes.
42:05
EE, às vezes há professores que que alguns que já vão introduzindo, não, não tem a ver só com a tecnologia.
42:11
Pessoa 3
Temos quê estimular a curiosidade?
42:13
Pessoa 1
Obviamente, EE passamos de uma de uma, o que para mim acho que é que é essencial, é.
Passamos aqui algo que é.
Que é quase não é quase é mesmo o contrário daquilo que nós somos educados a fazer.
Nós somos educados para dar respostas.
42:29
No mundo da inteligência artificial, nós temos que ser educados para fazer boas perguntas.
Quanto melhor for a minha pergunta, melhor será a resposta.
Que resposta ou a interação ou a simulação que não estavas a dizer que a inteligência nos dá e, portanto, nós não devíamos até ficar muito espantados com isso.
42:47
Se nós formos ver todos aquilo que que é o meio científico, todas as histórias que nós temos nos grandes momentos da eureca nunca começaram com uma resposta.
42:54
Pessoa 3
Sempre com uma grande.
42:55
Pessoa 1
Pergunta, caiu uma maçã na cabeça?
E agora?
Ora bem, o que é que a pergunta sempre foi aquilo que nos leva a outras perguntas e, portanto, isto devia ser algo que de base devia ter sido, deve ser incentivado.
Lá está a questão dos incentivos às crianças.
43:12
Façam perguntas, não há perguntas mais bons, fizeste esta pergunta, o que é que isto quer dizer?
E nós, nós continuamos com crianças que têm que estudar muito e aqui fazer um parênteses com uma maldade muito grande, que é a seguinte, a primeira coisa, quando uma criança entra num num primeiro ciclo, tem a apresentação, começa a fazer as suas, as suas, as suas primeiras atividades e diz se agora vai para casa e estuda.
43:38
Alguém alguma vez ensinou as crianças a estudar e existir?
O estudo é muito importante.
Atenção.
E devias existir uma disciplina que ensinar essas crianças estudar.
No entanto, nós só não nos ensinamos a estudar, como ainda lhes dissemos que não estudas ou estás a estudar mal.
43:55
Muito bem estudam eles para o facto de nunca terem sido ensinados a estudar.
44:00
Pessoa 3
Não há uma maneira, não há um método, não há uma.
44:02
Pessoa 1
Forma, se eu tiver um conjunto de capacidades que consigo por mim, sim, senhora, senão.
E perdemos quantos bons alunos aí não é bom.
Bons alunos.
Quantas pessoas com um conjunto de capacidades que nós perdemos porque não sabem estudar?
Porque não sabem organizar a informação de uma forma coerente para que possam depois dar o tal Outlook?
44:22
Isto devia ser a primeira disciplina que nós devíamos ter na escola, ensinar nos a organizar a informação e já agora preparávamos já para o para o mundo da inteligência artificial, com Fontes que fossem fidedignas.
Para os ajudar a fazer esta isso que estava a dizer que é pensamento crítico, eu independentemente, até que parte do processo possa passar pela inteligência artificial, eu pensei, eu direcionei da mesma forma quando eu vou a uma calculadora e introduzo o os números para fazer a conta, não vais dizer, foi a calculadora que fez a que fez as contas.
44:58
Porque se nós não introduzíssemos os números, a calculadora não IA dar nada.
45:02
Pessoa 3
Então, e como é que se ensinam pessoas a pensar?
45:05
Pessoa 1
Primeiro temos que lhes dar espaço para que isso aconteça.
Um depois temos que criar um espaço que seja um espaço seguro, em que elas possam errar.
Errar é uma coisa importante, e que possam ouvir também e que possam também ouvir, ouvir os outros.
45:23
E depois, sempre que possível.
Isto nem sempre é possível.
Nós podemos aqui arranjar forma de testar esses pensamentos.
Não é nem que seja de uma forma de uma conversa, de um debate, de mas é.
É.
É importante que nós e deixemos as pessoas imaginar que é uma coisa que que nós precisamos.
45:39
Precisamos muito é que as pessoas consigam imaginar, porque nós ao imaginar que criamos cenários possíveis, não é.
45:49
Pessoa 3
Precisamos do sonho.
45:50
Pessoa 1
Precisamos do sonho para porque senão isto é determinístico no sentido de que se for sempre assim, não existe ilusão, não é também?
45:59
O Papel Essencial do Humano Como Editor e Orquestrador na Era da IA
Então, mas nós, quando?
A escola é um bom exemplo.
Estamos no fundo a colocar um incentivo na perfeição, no saber a matéria, no ser bom aluno com tudo aquilo que isso tem de bom e de mau.
Não faças perguntas difíceis, não olhes fora da caixa, não, não, não, não penses.
46:21
O absurdo no fundo é isto, EE à espera que essas gerações sejam recriadoras num futuro diferente.
46:30
Pessoa 1
Em defesa da escola, tem que dizer que Oo método, aquilo que foram os métodos da escola estavam bastante alinhados com aquilo.
A escola.
A escola estava muito alinhada com as questões da primeira revolução, que era a repetição e, portanto, a memorização, e, portanto, era um bom preditor daquilo que eram as competências necessárias depois, para o mundo do trabalho.
46:51
Fazia sentido se a maior parte dos trabalhos eram repetitivos.
Portanto, a questão desta repetição, de eu voltar a ler, nós não tínhamos acesso.
A memória, por exemplo, eu lembro me em 1990 que tinha que ir a uma biblioteca, portanto, eu não tinha acesso.
Se eu se eu tivesse 2 capacidades de memória, se trabalhasse a memória era uma capacidade que depois IA ser muito importante para eu levar para ao longo da vida.
47:14
Pessoa 3
Mas agora está na Palma da nossa mão, num telemóvel eu consigo encontrar tudo o que que que preciso.
47:20
Pessoa 1
Exato.
47:21
Pessoa 3
E só de saber fazer perguntas.
47:23
Pessoa 1
Fazer perguntas será essencial e depois de fazer as perguntas, obviamente, saber.
Ter aquele tempo de poder pensar, OK, isto veio de onde?
Mas se nós não tivermos esse tempo, lá está.
Se nós continuarmos com os mesmos incentivos de Jorge, tens que fazer mais rápido, mais pressa, mais barato.
47:42
Se dentro daquilo que é aquilo que incentivamos a fazer, não está OK?
Pois isto não é por um número de vezes que faz ou quando mais barato te faz.
Como parte integrante e critério de qualidade daquilo que vai ser o teu output, nós queremos que tu penses.
48:00
Tu até podes ir buscar a utilizar a experiência artificial para mobilizar um conjunto de de informação, mas depois queremos que o crivo sejas.
Tu que olhes para aí, para para que isto?
E diz assim, isto serve, isto não serve, isto não serve, aliás.
No jornalismo existe um bocadinho, isto a figura do editor não vai buscar, não é o reitor quando tu fazes?
48:21
Pessoa 3
Introduz uma subjetividade.
48:22
Pessoa 1
E não.
E tem os os jornalistas ir buscar um conjunto de de notícias que depois ele chega e diz, ó pá, se calhar esta precisa de mais informação, esta não vamos fazer assim.
E depois é o seu juízo que e nós vamos passar de.
Eu acho que isto é uma das das consequências que nós vamos ver a partir do final da do próximo ano.
48:39
Acho que nós.
Vamos começar a ver isto que é.
Vamos começar AA passar de de sermos os executores.
Não é para sermos orquestradores e para sermos editores coisas.
48:52
Pessoa 3
Para passarmos a ser curadores da da.
48:53
Pessoa 1
Curadores e editores?
Exatamente.
O braço já nos chega feito nós.
É quase como se todos nós.
Nós todos, em teoria, podemos usar ou não usar, mas vamos ter a possibilidade de uma de uma forma virtualmente grátis.
Temos um chefe de gabinete que nos cura a informação.
49:10
A questão é como é que nós escolhemos o nosso chefe de gabinete?
E isso é uma questão complicada.
49:17
Pessoa 3
Esse é o ponto.
49:19
Pessoa 1
Escolho o modelo AA inteligência artificial.
A vamos ver é da ChatGPT é do Gemini, é do da antrópico.
E como é que?
Como é que eu sei qual é que?
Onde é que ele foi treinado, quais são os dados, quais são os valores que estão associados?
49:34
Está atualizado?
Não está atualizado?
Estou a fazer as 2 perguntas.
Ou seja, nós temos aqui a potencialidades da ferramenta, de nos aumentar muito, mas também temos aqui que saber fazer escolhas e muitas vezes nem sequer há literacia para sequer pensar nesta parte.
49:46
Pessoa 3
Olha o que é que nos distingue das máquinas verdadeiramente?
49:52
A Importância das Emoções e Relações na Era da IA
O que nos distingue das máquinas tem que começar pela questão emocional.
É aquilo que também nos distingue do resto dos animais, esta coisa de coisas.
Muitas das vezes que são tão inócuas para uns, podem ter um significado tão grande para o outro.
50:08
A forma como nós temos esta capacidade de sermos, muitas das vezes soportivos EE, outras vezes extremamente maus, uma forma que nossas, a forma.
50:25
Como nós muitas das vezes temos quase aqui 11 lado que que nos cenários até é bom, noutro lado até até é mau, mas esta questão emocional e a forma como nós gerimos estas questões emocional e a forma como nós nos expressamos é algo que até ao momento não tenha.
50:46
Não tem paralelo e é uma coisa que mais do que.
Sermos o eu é a forma como eu percebo o outro ou como o outro percebe a mim.
50:53
Pessoa 3
É uma em relação é uma em.
50:55
Pessoa 1
Relação é uma em relação.
Nós somos animais altamente sociais e estas questões de estarmos de perto, nem que seja haver 11 cara, muitas 2 vezes que que é mais difícil de de compreender ou de aceitar.
Mas nós precisamos, nós, nós precisamos de estar com com com o outro.
51:14
E nós.
E nós temos esta esta capacidade de de olhar, de de olhar para outra.
E esta questão muito mais emocional que muitas das vezes nos condiciona de uma forma que nós não conseguimos explicar muito bem porquê, porque nós sentimos, não é?
51:33
Pessoa 2
Ao longo desta conversa com o Miguel Oliveira, percebemos uma coisa essencial, a inteligência artificial não é apenas um desafio tecnológico, é um desafio humano.
Ela não pensa por nós.
Mas pode levar nos a deixar de pensar.
Ela não sente, mas pode influenciar a forma como sentimos.
51:51
Ela não decide, mas pode empurrar nos para aceitar decisões sem questionar.
O problema não é a máquina de ser rápida, é nós deixarmos de parar.
Parar para pensar.
Talvez o grande desafio deste tempo não seja competir com a inteligência artificial, nem tentar sequer acompanhá lo ao mesmo ritmo.
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Talvez seja reaprender a fazer perguntas.
A duvidar, a pensar.
Com o tempo, a tecnologia vai continuar, a avançar.
Sabemos disso.
Isto é inevitável.
O que não é inevitável é a forma como nos relacionamos com ela.
E essa escolha ainda é humana.
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Fica a pergunta final, num mundo cada vez mais inteligente, queremos apenas ser mais eficientes ou verdadeiramente mais humanos?
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Reflexão Final: Mais Eficientes ou Mais Humanos?
Até para a semana.
NOTA: Esta transcrição foi gerada automaticamente. A sua exatidão pode variar.
