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Qual é o sentido da vida? António Castro Caeiro


Antonio Castro Caeiro
VERSÃO ÁUDIO DO PODCAST
Qual é o sentido da vida? António Castro Caeiro
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Perguntar, perguntar, perguntar.

Qual é o sentido da vida? António Castro Caeiro

Passar a vida a fazer perguntas.

Passar todo o tempo do mundo em busca de respostas.

Perguntas das mais difíceis.

Respostas que podem nem chegar.

É a vida dos filósofos.

E decidi convidar um dos melhores.

Eu faço perguntas. António Castro Caeiro traz respostas.

De caminho podem ler o livro “O que é a filosofia”, do autor convidado está semana .

Vivemos num tempo acelerado, de respostas rápidas, notificações constantes e poucas pausas para pensar. A informação chega em excesso, a comunicação tornou-se instantânea e, muitas vezes, vazia. Perguntar parece ter-se tornado um ato quase subversivo. Questionar o mundo, o tempo, a vida, até a nós próprios, pode soar estranho, deslocado ou até incómodo. Mas talvez seja justamente esse desconforto que precisamos de recuperar. É nesse gesto simples e revolucionário — o de fazer perguntas — que entra a filosofia.

Neste episódio do Pergunta Simples, falamos com António Castro Caeiro. É professor universitário, tradutor, ensaísta e uma das vozes mais singulares da filosofia contemporânea em Portugal. Mas mais do que títulos, Caeiro é alguém que pensa o mundo com palavras, com o corpo e com uma atenção rara às perguntas certas. Convida-nos a desacelerar, a escutar, a habitar o tempo e a linguagem com mais cuidado. Nesta conversa, há espaço para dúvidas sem fim, para silêncios reveladores e para a beleza difícil das ideias que resistem à simplificação.

Ao longo da conversa, exploramos o papel essencial da pergunta. O que é uma boa pergunta? Por que nos incomodam as perguntas que não têm resposta imediata? Porque é que, muitas vezes, evitamos perguntar — como se a dúvida nos fragilizasse? Para Caeiro, a pergunta é mais do que uma forma de obter informação. É um exercício de atenção, uma forma de estar no mundo. Perguntar bem é escutar com rigor, pensar com tempo e resistir à facilidade de respostas prontas. Vivemos, como diz, entre o espanto e a dúvida — duas formas de nos abrirmos ao desconhecido, ao imprevisto, ao que escapa às fórmulas.

Mas este episódio vai muito para além das perguntas. Falamos de emoções, sentimentos e corpo. Num tempo em que nos pedem performance constante — em que se valoriza a eficiência, a imagem e a exposição — é urgente recuperar a dimensão sensível da existência. António Castro Caeiro defende que as emoções não são um desvio do pensamento, mas parte do próprio acto de pensar. Sentir é também uma forma de compreender. E o corpo — tantas vezes visto como mero suporte — é, na verdade, um centro de inteligência e perceção.

Nesta conversa, revisitamos o espanto original com que olhámos o mundo pela primeira vez: o primeiro mergulho no mar, o primeiro amor, o primeiro espanto perante uma paisagem. A vida, diz-nos, vai-nos calejando — e cabe-nos, através da filosofia, da arte ou da contemplação, reencontrar esse olhar inaugural. É esse o desafio: não viver em modo automático, mas reativar a atenção, a curiosidade, a capacidade de nos maravilharmos.

Também há tempo para refletir sobre o tédio — esse vazio que tantas vezes evitamos a todo o custo. Vivemos rodeados de ocupações, estímulos, distrações. Mas talvez o tédio, se escutado com atenção, seja um convite à criação, à escuta interior, ao reencontro com o essencial. Talvez seja no silêncio, na pausa, no vagar, que se abra espaço para a filosofia.

Não ignoramos os temas contemporâneos: as redes sociais, a exposição constante, a fragmentação da identidade. Falamos do eu digital e das versões idealizadas que projetamos ‘online’. Mas também reconhecemos que o virtual é tão antigo quanto a humanidade — sempre vivemos com imagens, memórias, fantasias e projeções. A novidade, talvez, seja a velocidade e a intensidade com que tudo acontece.

Por fim, chegamos à pergunta que dá nome a este ‘podcast’: ainda faz sentido perguntar pelo sentido da vida? Num mundo líquido, ambíguo, saturado de opiniões e urgências, onde encontramos pontos de apoio? António Castro Caeiro não nos dá respostas fechadas, mas aponta caminhos: o da escuta, o da atenção, o da curiosidade filosófica. Defende que o sentido da vida é, ao mesmo tempo, uma experiência íntima e universal. É quando nos deparamos com o abismo — uma perda, uma crise, um vazio — que a pergunta pelo sentido emerge. E, nesse momento, ela é tudo menos teórica.

António Castro Caeiro é um filósofo que pensa com tempo, com humor e com profundidade. Um filósofo que não teme a dúvida, nem o silêncio. Um pensador que nos desafia a reabilitar a linguagem, a interrogação e o espanto como formas de resistência.

Este episódio é um convite a parar. A ouvir com vagar. A reaprender a perguntar.

Já agora, o Pergunta Simples chegou ao Youtube. Estão lá todas as entrevistas gravadas em vídeo. Procurem o Pergunta Simples no YouTube e subscrevam o canal. Assim não perdem nenhuma estas conversas. É seguir este link https://youtube.com/@pergunta.simples?sub_confirmation=1

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